COP30 aprova pacote climático após tensão e críticas de países da América Latina
A COP30 encerrou neste sábado (22), em Belém, a aprovação do pacote de decisões negociado ao longo de duas semanas. A plenária, porém, foi suspensa por cerca de uma hora após Colômbia, Panamá, Uruguai e Argentina questionarem trechos aprovados. Depois das conversas com as delegações, o presidente da conferência, André Corrêa do Lago, confirmou que todas as decisões permaneciam válidas.
A tensão aumentou quando o representante da Rússia criticou os países latino-americanos e afirmou que eles “não devem se comportar como crianças”, declaração que gerou aplausos e também reações imediatas — a Argentina rebateu a fala e defendeu o direito dos países de registrarem suas preocupações.
Antes do impasse, a plenária havia aprovado mais de dez textos, incluindo o documento político central da conferência, o “Mutirão Global”, que reforça a necessidade de acelerar a ação climática e ampliar o financiamento para adaptação até 2035. O texto, no entanto, não menciona combustíveis fósseis.
Outros pontos aprovados incluem o Programa de Trabalho de Transição Justa, avanços no Balanço Global, diretrizes para alinhar fluxos financeiros ao desenvolvimento de baixas emissões, medidas socioeconômicas para mitigar impactos da transição energética, e orientações para a operacionalização do Fundo de Perdas e Danos. Também foi ampliado o teto de projetos do Fundo de Adaptação, e adotados indicadores globais do Objetivo Global de Adaptação (GGA), uma das entregas mais aguardadas.
As decisões refletem um cenário de forte disputa entre delegações e críticas à falta de ambição no texto final, aprovado por representantes de 195 países após negociações que avançaram pela madrugada e terminaram na manhã deste sábado.
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