Omar, David, Wilson - personagens de um mapa eleitoral em construção
- A ideia de um mapa eleitoral se projeta em um cenário inacabado: David Almeida e Omar Aziz na disputa pelo governo do Estado; Wilson Lima entrando na guerra para o Senado. Mas nada ainda é definitivo e o ambiente é de incerteza.
- A decisão de David e Wilson, caso resolvam renunciar para participar do próximo pleito, não será apenas pessoal e política. Seus efeitos serão públicos.
- Em tempos de imprevisibilidade, talvez o gesto mais responsável não seja a pressa, mas a escuta atenta de quem colocou o nome na urna.
O mapa eleitoral começou a ser desenhado a partir da presença, em Manaus, do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, que publicamente lançou a possibilidade de uma candidatura de David Almeida ao governo do Estado. A iniciativa partiu do partido, não do prefeito. Ainda assim, foi suficiente para colocar o tema no centro do debate político.
David Almeida é hoje prefeito, com mandato até 2028. Qualquer eventual renúncia em março para disputar o governo do Estado representaria a travessia de uma linha sem retorno. Não por formalidade legal, mas pelo peso político e simbólico que uma decisão desse tipo carrega.
A eventual caminhada rumo ao Palácio da Compensa não se faz em estrada asfaltada. É percurso incerto, de terreno irregular, em que o risco faz parte do trajeto e o porto seguro não é promessa. Vale a aposta? Para alguns, pode valer. O ponto é que renunciar não é um ato burocrático: é decisão que afeta diretamente a vida pública.
E se o eleitor quiser vê-lo governador? O problema é que essa vontade só se revela no dia da eleição. Antes disso, tudo é hipótese. Pesquisas oscilam, cenários mudam e a política recente tem mostrado que previsões são frágeis. Por isso, transformar uma sinalização partidária em decisão concreta exige cautela.
Não se trata de ambição ou recuo, mas de compreender que mandato é compromisso com prazo definido — e que cruzar essa linha, ainda que legitimamente, tem consequências que não se apagam depois.
Dilema semelhante, embora em outro ponto do calendário, envolve o governador Wilson Lima, que avalia a possibilidade de deixar o cargo para disputar o Senado. Aqui, o tempo pesa de forma diferente: resta menos de um ano de mandato, e a eventual saída segue uma lógica já conhecida da política brasileira. Ainda assim, não se trata de decisão automática. A disputa senatorial tende a ser dura e sem garantias.
Isso porque o cenário envolve nomes experientes. Senadores em fim de mandato, como Eduardo Braga e Plínio Valério, sabem que reeleição nunca é um caminho livre de obstáculos. Soma-se a isso a movimentação do senador Omar Aziz, que se coloca como pré-candidato ao governo do Estado, reconfigurando alianças, expectativas e cálculos.
ASSUNTOS: David Almeida, eleição 2026, Omar Aziz
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.