Vírus Nipah não representa ameaça ao Brasil, afirma Ministério da Saúde
O Ministério da Saúde informou, nesta sexta-feira (30), que os casos do vírus Nipah registrados recentemente na Índia apresentam baixo potencial de disseminação global e não representam uma ameaça ao Brasil. O posicionamento oficial acompanha a avaliação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que também monitora a situação na província de Bengala Ocidental.
Controle do surto na Índia
A autoridade sanitária detalhou que, embora dois casos tenham sido confirmados em janeiro, o monitoramento rigoroso de quase 200 pessoas que tiveram contato com os infectados não revelou novos diagnósticos. "Diante do cenário atual, não há qualquer indicação de risco para a população brasileira", afirmou o Ministério em nota, ressaltando que mantém vigilância contínua em parceria com instituições como Fiocruz e Instituto Evandro Chagas.
Por que o risco é baixo para as Américas?
Especialistas explicam que a baixa probabilidade de uma pandemia está ligada à forma de transmissão do vírus. Entenda os pontos principais:
Hospedeiro específico: O vírus é transmitido por uma espécie de morcego que se alimenta de frutas e seiva. Esses animais são encontrados apenas na Ásia e não existem no continente americano ou na Europa.
Transmissão zoonótica: A contaminação ocorre principalmente quando humanos consomem alimentos já tocados ou contaminados por esses morcegos.
Barreira geográfica: Segundo o infectologista Benedito Fonseca, da USP, a relação íntima do vírus com seu reservatório natural (o morcego asiático) limita sua expansão para outras partes do mundo.
Histórico do Vírus
O Nipah não é um vírus novo. Identificado pela primeira vez em 1999 na Malásia, ele costuma ser detectado regularmente em países como Bangladesh e Índia. Apesar da letalidade local preocupar as autoridades regionais, a ausência do vetor animal no Brasil e os protocolos de resposta rápida das instituições de saúde nacionais garantem a segurança do país frente ao agente patogênico.
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