Virginia se recusa a revelar ganhos com bets e nega 'cachê da desgraça'
Virginia Fonseca compareceu nesta terça-feira (13) à CPI das Bets, no Senado, e se recusou a revelar os valores que recebeu por contratos publicitários com plataformas de apostas online. Amparada por decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF, ela usou o direito de permanecer em silêncio ao ser questionada pela senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), relatora da comissão.
Durante o depoimento, Virginia afirmou que não enriqueceu com esse tipo de contrato. “Me reservo ao direito de ficar calada”, disse Virginia.
Segundo a influenciadora, todos os ganhos obtidos com publicidade de apostas foram devidamente declarados à Receita Federal. Ela também negou ter recebido valores adicionais atrelados às perdas dos usuários — prática conhecida como “cachê da desgraça”. “Nunca aceitei fazer publicidade para casa de apostas que não estão regulamentadas”, disse.
Virginia ainda afirmou que sua fortuna não foi construída com a divulgação de plataformas de apostas. Ela citou o faturamento de sua empresa, que teria chegado a R$ 750 milhões em 2024, e destacou que já possuía 30 milhões de seguidores antes de iniciar esse tipo de parceria. Atualmente, a influenciadora acumula mais de 53 milhões de seguidores no Instagram.
Durante a oitiva, senadores criticaram o impacto da publicidade de apostas sobre a população e o estímulo ao vício em jogos. Virginia disse que sempre incluiu alertas de responsabilidade em suas publicações e sinalizou que poderá reavaliar esse tipo de contrato. “Se realmente faz tão mal, por que está regulamentando? Proíbe tudo, que acaba com tudo”, declarou.
A CPI das Bets foi criada em novembro de 2024 e apura possíveis danos causados por jogos de apostas ao orçamento das famílias brasileiras. Também investiga indícios de envolvimento do setor com esquemas de lavagem de dinheiro. A convocação de Virginia foi aprovada pelos senadores no fim do ano passado. Ela compareceu acompanhada do marido, o cantor Zé Felipe, e de sua equipe jurídica.
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