Amazônia cobiçada e sem defesa
- Pesquisa Genial-Quest revela que muitos brasileiros temem que os EUA adotem uma posição belicista contra o Brasil e iniciem um processo de invasão. Mas onde e como? A região mais cobiçada pelas potências estrangeiras sempre foi a Amazônia.
- O verdadeiro risco não é uma intervenção militar. É o Brasil continuar sem uma estratégia clara para a Região. Sem um projeto nacional, a Amazônia segue exposta — e o país também.
- O medo captado pela pesquisa precisa ser trazido para o foco correto: não o receio de uma ação pontual dos Estados Unidos, mas a fragilidade brasileira diante da disputa internacional por recursos estratégicos.
A pesquisa Genial/Quaest mostra que brasileiros temem que os Estados Unidos façam com o Brasil algo semelhante ao que ocorreu na Venezuela. O medo existe, mas está apontado para o lugar errado. O problema não é a posição diplomática do presidente Lula, nem a possibilidade de uma invasão militar direta.
O que realmente mudou foi a política externa americana. Com a ideia de “A América para os americanos”, os EUA retomam uma lógica de influência regional, com menos compromisso com organismos internacionais e mais foco em interesses próprios, como energia, tecnologia e segurança estratégica.
Nesse cenário, a Amazônia deixa de ser apenas um símbolo ambiental e passa a ser vista como um ativo estratégico. A região concentra água, biodiversidade e minerais valiosos, como as terras raras, essenciais para a economia e a indústria do século XXI.
O problema é que o Brasil insiste em tratar a Amazônia apenas no discurso. Falta presença do Estado, planejamento e desenvolvimento real. Enquanto isso, a região permanece frágil, pobre e vulnerável — e territórios sem projeto nacional sempre atraem pressões externas.
ASSUNTOS: Amazônia, EUA, Trump
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.