Sobre o que motivou o massacre de crianças na creche de Blumenau
O massacre de quatro crianças em uma creche de Blumenau, Santa Catarina, chama a atenção por não haver aparentemente ligação do autor com grupos extremistas com abrigo na Dep Web. Nem ele ter usado as redes sociais para anunciar o plano macabro. O vídeo no qual aparece no elevador do prédio onde mora também não revela muita coisa.
O que motivou o massacre então? É difícil explicar, mas certamente não foi o que o ministro da Justiça, Flávio Dino, na ânsia de censurar as redes sociais divulgou: que “estamos insistindo em uma internet desregulada, que não controla os conteúdos". O gosto pela censura do ministro só é comparável a mania que o governo militar tinha de calar a boca dos brasileiros.
O autor do atentado sequer divulgou sua intenção e, segundo a polícia, agiu de forma isolada.
Não é possível prever esse tipo de ação. E menos ainda quando o criminoso faz parte da escola, do grupo de amigos numa reunião de condomínio, por exemplo.
E a ideia de colocar polícia nas escolas, embora interessante, não resolve o problema.
É bobagem dizer que há uma cultura de ódio no Brasil. Há em todo mundo. E não tem nada de ideológica – é loucura mesmo, e todo mundo tem um pouco de loucura que precisa ser controlada: é a inveja que leva a denúncias caluniosas; é a perseguição por causa de bens familiares; é paixão não correspondida.
E tudo resulta em tragédias.
O Caso da creche de Blumenau é um daqueles sem explicação: o autor não tinha relação com professores, nem com pais de alunos. Deu a louca e resolveu que era dia de matar.
Polícia dá jeito? Não dá. O mal está presente na vida de todo mundo e todo mundo é capaz de atos abomináveis. Mas todo mundo também é capaz de fazer o bem. Resumindo: metade nossa é boa, metade é má. Essa é a luta do bem e do mal.
Quem não vence essa guerra conspira, mata ou se mata. Mas é uma guerra que a gente precisa vencer a partir da relação com nossos filhos, com os amigos, com os vizinhos. O bem começa a se fortalecer nessas relações...
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ASSUNTOS: ataque a creche, Masacre de Blumenau
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.