O sequestro de Maduro e o precedente criado
- A ação dos EUA não restabelece a democracia na Venezuela. Seu propósito de se apoderar dos ricos campos de petróleo apenas deixa explícita a delinquência do governo americano.
Poucos analistas utilizaram o termo "sequestro" para a ação dos Estados Unidos que "capturou" o presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Mas é a expressão correta. Invadir um país para sequestrar seu presidente é um ato de terrorismo de estado.
Não importa aqui se Maduro era um ditador sanguinário e que apenas 13% da população da Venezuela aprovavam seu governo. Importa que direitos internacionais foram violados com um proposito descaradamente revelado pelo presidente Trump: se apropriar do petróleo do país.
A ação dos EUA não restabelece a democracia na Venezuela. Seu propósito de se apoderar dos ricos campos de petróleo apenas deixa explícita a delinquência do governo americano.
A medida abre um precedente perigoso, especialmente porque Trump muda de ideia todo dia e não será surpresa se voltar a encarar o governo brasileiro - que reprovou a ação na Venezuela - como inimigo.
Tudo é possível, inclusive, incentivado pelo êxito do sequestro de Nicolás Maduro, Trump resolver "raptar" um careca no Brasil , apenas para satisfazer a direita tupiniquim, que vergonhosamente apoiou a "captura" de Maduro. Agora nada é impossível...
O risco existe e é real.
ASSUNTOS: Brasil, Lula, Nicolas maduro, Trump, Venezuela
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.