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Um caso de Polícia, mas a Federal não bate à porta de ministro supremo


Por Raimundo de Holanda

13/02/2026 8h20 — em
Bastidores da Política


  • O Supremo Tribunal Federal costuma cobrar rigor, transparência e respeito às regras de todos os demais atores públicos.
  • Quando precisa adotar uma saída que parece mais estratégica do que técnica, inevitavelmente surge desgaste e cai no mesmo lodaçal no qual se afoga pouco a pouco a democracia brasileira.
  • O afastamento de Toffoli sem reconhecimento de suspeição alimenta interpretações divergentes, e coloca o tribunal numa situação vexatória.
  • Um caso de Polícia, mas a Federal não bate na porta de nenhum dos 11 supremos.

O Supremo Tribunal Federal vive um momento delicado. Ao decidir que não havia impedimento nem suspeição do ministro Dias Toffoli, mas "aceitou" sua saída da relatoria do caso Master, buscou conter uma crise. 

A medida ajudou a esfriar o ambiente interno, mas deixou uma pergunta no ar: se não havia problema formal, por que a "afastar" o ministro?

Depois, a nota ridícula na qual os ministros "absolvem" Toffoli dos erros cometidos como relator de um caso no qual tinha interesse pessoal.

A decisão não evita consequências mais amplas, nem  questionamentos sobre atos já praticados no processo. A tentativa de preservar a posição institucional da Corte ao não reconhecer falha ou parcialidade, acentua o desgaste do tribunal, que passa a ideia de que a Lei não vale para os 11 "supremos".

Um caso de Polícia, mas a Federal não bate à porta de nenhum dos 11 supremos.

Em um país já marcado por desconfiança e polarização, cada gesto das instituições é interpretado com lupa. 

No fim, o desafio do Supremo é manter sua autoridade sem abrir espaço para dúvidas sobre coerência, o que teve chances de fazer e não fez na reunião que afastou Toffoli da relatoria do Caso Master. 

Em tempos de tensão institucional, preservar confiança pública é tão importante quanto resolver o processo em si.

 

 


 

 

 

 

 

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.