A pauta ambiental que atrasa o Amazonas
- Direitos das comunidades indígenas vêm sendo usados pelo governo federal como extensão automática da pauta ambiental, travando o desenvolvimento do Amazonas.
- São utilizados como reforço do argumento: "não pode porque impacta", "não anda porque há risco, "não pode ter uma decisão porque envolve comunidades".
Ingressamos em 2026 com obras no Amazonas ainda travadas, depois de um 2025 inteiro de impasses. Licenças ambientais, projetos de infraestrutura e conflitos fundiários continuam rodando em círculos. A proteção ambiental aparece, quase sempre, como o primeiro argumento para explicar a paralisia. É um discurso forte, legítimo, mas que surge apenas quando falta planejamento, clareza técnica ou vontade de decidir.
O problema é que, em muitos casos, essa invocação não vem acompanhada de estudos sólidos, alternativas bem desenhadas ou propostas reais de conciliação. A bandeira é levantada, mas o debate para ali.
O resultado é um padrão conhecido. Projetos avançam sem amadurecimento, esbarram em exigências legais previsíveis e, quando travam, a culpa recai sobre o “meio ambiente” ou sobre os “direitos indígenas”.
Pouco se discute traçado, compensação ou soluções intermediárias. Cria-se uma oposição artificial entre preservar e desenvolver, que serve mais para justificar o impasse do que para resolvê-lo — como se proteger a floresta e fazer obra fossem, por definição, coisas incompatíveis.
No fim, nem o meio ambiente sai fortalecido, nem os povos indígenas são realmente protegidos, nem o Amazonas avança.
A proteção ambiental e os direitos indígenas acabam usados como escudo retórico para a falta de decisão. Enquanto forem acionados só na hora do conflito, continuarão sendo vistos como entrave. Quando forem tratados com seriedade desde o início, deixarão de servir como desculpa e passarão a fazer parte da solução — inclusive para obras que o estado não pode mais adiar.
ASSUNTOS: Amazonas, direitos indígenas, pauta ambiental
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.