Olimpíada Brasileira de Informática terá nova edição após sucesso na primeira fase

Por Portal do Holanda

02/07/2021 22h53 — em Amazonas

Foto: Divulgação

Com grande número de participantes em todo o Amazonas, a Olimpíada Brasileira de Informática (OBI 2021) comemora o sucesso da Fase 1 e já mira a realização da Fase 2 do evento. Ao todo, foram quase 850 competidores de 30 escolas públicas e particulares espalhadas pela capital e outros sete municípios do interior do estado provando que nem mesmo a pandemia do Novo Coronavírus foi capaz de frear o evento que fomenta a formação dos chamados profissionais do século XXI.

Os números da OBI 2021 no Amazonas são de encher os olhos. De 30 escolas que se inscreveram no evento, 18 são públicas (estaduais e municipais) e 12 são particulares, sendo que seis delas são oriundas do interior do estado. Além da capital Manaus, os municípios de Autazes, Humaitá, Lábrea, Manacapuru, Maués, Parintins e São Gabriel da Cachoeira marcaram presença na Fase 1 da competição, ratificando que o alcance do evento não tem fronteiras.

No total, 847 competidores fizeram as provas que se encerraram na última quarta-feira (23). Na modalidade Iniciação, que engloba alunos do 4º a 9º ano do Ensino Fundamental, foram 397 participantes. Na modalidade Programação, que atende alunos do Ensino Médio e 1º ano do Ensino Superior (e que também receberam alguns alunos do 8º e 9º ano do Ensino Fundamental), teve a participação de 475 competidores.

Inclusão e acessibilidade

Mesmo com algumas dificuldades de acesso à internet, principalmente apontadas por escolas no interior do estado, a OBI 2021 se notabilizou pela inclusão na disputa por meio da acessibilidade das provas. Quando muitas escolas receberam seus alunos para realizarem os exames de forma presencial, outras optaram por levar a Olimpíada aos competidores em casa, usando o aparelho celular e acesso à internet. Essa iniciativa foi primordial para que alunos da zona rural de Manaus e em comunidades indígenas, por exemplo, participassem da competição. 

Esse foi o caso do professor e coordenador de mídias educacionais da escola municipal Ester, na BR 174, Eumar Nascimento, que levou os testes aos seus alunos na Fase 1 da OBI 2021 via celular. “A OBI vem proporcionando aos nossos alunos, tanto da área urbana como da área rural, a oportunidade de participar, de fazer parte do evento e de disputar, em pé de igualdade, com os demais alunos. E acredito que nossos alunos estão de parabéns por isso”, enfatizou o professor explicando como, mesmo remotamente, conseguiu treinar seus cinco competidores para a disputa.

“Nós utilizamos o próprio site da OBI para fazer nossos planejamentos e nossa preparação, e então nós fizemos uma seleção de provas anteriores da OBI. A partir daí, nós começamos a montar uma estratégia de resolução das questões. E passamos a fazer nossos encontros, sempre de forma virtual – eu pelo computador e os cinco alunos pelo celular, por uma plataforma de vídeo específica”.

FMM bate recorde

Centro de ensino de referência em informática, a Fundação Matias Machline, na Zona Sul de Manaus, bateu seu próprio recorde de inscritos na Olimpíada Brasileira de Informática. Foram 363 participantes de um total de pouco mais de mil alunos que a Fundação possui. Ou seja, quase 40% de todo o contingente da FMM participou da Fase 1 da OBI 2021.

Diretora de Ensino e Pesquisa da FMM, Nancy Claudiano Cavalcante, falou da importância da OBI para os alunos da entidade, aproveitando para desmistificar o temor que alguns tem de competir. 

“Acredito que a importância é mostrar pra eles conhecerem essa área, perceberem que é uma área legal, que é uma área de prospecção, uma área de futuro, e que eles são capazes. Porque existe muito o sentimento de que é muito difícil, e que ele não vai conseguir, que não vai entender. E quando eles começam a participar da Olimpíada, eles começam a perceber que são capazes, que conseguem e podem, e começam a pegar gosto. Porque a competição dá esse sentimento de adrenalina, que faz eles gostarem mais da área”.

A gestora revelou que a OBI também é usada como estratégia de ensino dentro da Fundação. “Uma das estratégias da educação é trabalhar a competição. Através da competição, o aluno cria o estímulo necessário a avançar no estudo do conteúdo dele. Então, ele não se limita aquilo que o professor passou. Como ele vislumbra competições, ele estuda mais, se dedica mais, faz mais exercícios, ele procura desafios, e a competição é um desafio”, concluiu.

Aluna de Informática da FMM e competindo pela segunda vez na OBI, a aluna Hanna Reis, 16, comentou como o evento agrega conhecimento ao curso que ela participa. “A OBI é muito boa porque ela dá um ambiente pra gente de como é realmente programar. A gente programa muito aqui na Fundação, mas a Olimpíada traz realmente isso para a nossa realidade. E os problemas são muito bons pra gente desenvolver a nossa lógica de programação”.

Curumins e Cunhantãs na OBI 2021

Além das escolas particulares, os centros de ensino público têm seu lugar cativo na OBI. Destaque na capital quando o assunto é robótica, o Projeto Procurumim – que atende cerca de 2,5 mil crianças no ensino de Robótica e Programação - teve participação essencial na Fase 1 da Olimpíada, dando suporte para que o evento tivesse grande alcance entre os alunos da rede pública. 

Em parceria com o projeto Cunhantã Digital e ALGOX-Jogos Inteligentes da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), o Procurumim disponibilizou aos alunos a participação nas mais de dez oficinas e palestras preparatórias gratuitas para o evento. Onde os participantes puderam ser inseridos no universo da programação. Tudo coordenado por um grupo de 15 universitários da (pós) graduação comandados pela coordenadora da OBI Amazonas, professora Rosiane de Freitas, que é membro do comitê diretor nacional de competições científicas da Sociedade Brasileira de Computação (SBC).

Coordenadora do telecentro da escola Jornalista Sabá Raposo, no Monte das Oliveiras, Zona Norte de Manaus, a professora Regiane Cardoso da Silva fez questão de enaltecer a parceria UFAM/Procurumim para o sucesso de seus alunos visando a preparação para a OBI.

“Com essa nossa parceria com a UFAM e a Procurumim, nós tivemos oficinas como a Torre de Hanoi, das cartas ParPow e o Iara, que justamente são jogos que buscam o raciocínio lógico e que as questões desses jogos também constam nas provas da OBI. Essas oficinas foram online, os alunos estavam participando remotamente e, quando a aula iniciou semipresencial, eu trouxe esses alunos pra sala de aula, aqui no telecentro, pra eles estarem treinando”, comentou a coordenadora recordando o grande desempenho de uma de suas pupilas na OBI.

“Em 2019, nós tivemos uma aluna que foi representar o Amazonas na fase nacional. De 67 mil inscritos, ela ficou na colocação de número 255. E foi uma colocação boa, se levarmos em conta que somos de uma escola de educação básica da prefeitura, que disputou com escolas particulares e militares de todo o Brasil, e nossos alunos conseguem alçar esses voos”, concluiu.

As meninas na OBI

Outro número que ganhou notoriedade na OBI 2021 no Amazonas foi quanto ao número de meninas participando do evento. Foram 408 competidoras num montante de 847 inscritos, quase a metade do total. O que põe por terra a mística de que as meninas não apreciam computação ou competições e que isso se restringe ao universo dos meninos. Há um grande incentivo dado através do projeto Cunhantã Digital da UFAM e o programa Meninas Digitais da SBC no Brasil.

Vale ressaltar que, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), apenas 20% dos profissionais de TI (Tecnologia da Informação) representam a participação feminina. No entanto, se depender da OBI e do empenho das meninas, esses dados tendem a mudar em breve.

Aluna do 7º ano do Colégio Santa Doroteia, no Centro da capital, Maria Eduarda Nascimento, é a prova de que as meninas pretendem virar esse jogo. A estudante avalia que a OBI é a oportunidade de alunas, como ela, têm de buscar seu espaço dentro de uma área profissional há anos dominada pelos homens.

“Acho que pode ser uma grande oportunidade desse número aumentar (mulheres na área de TI), acho que muitas meninas podem sim ser motivadas a participar da OBI e, com isso, tomarem coragem e vontade de participar dessa olimpíada”, comentou Maria Eduarda mostrando seu lado competidora.

“Sempre tive bastante curiosidade e gosto muito de participar de competições, e a OBI me deu a oportunidade de aperfeiçoar meu aprendizado, meu conhecimento. Quero muito ganhar, quero muito tirar uma nota boa e quem sabe conseguir, e ver que todo o meu esforço está valendo a pena”.

Sequência da OBI

Com a conclusão da Fase 1 da Olimpíada Brasileira de Informática fica a expectativa dos competidores pela Fase 2 do evento, que segue com os alunos de melhor desempenho da Fase 1 no Amazonas. A Fase 3 da OBI, onde acontece a grande final brasileira da competição, está, inicialmente, marcada para ocorrer no final de setembro e início de outubro.

De acordo com a organização da OBI, a Fase 2 está prevista para acontecer nas seguintes datas: 
- Modalidade Programação no dia 21 de agosto.
- Modalidade Iniciação no dia 28 de agosto.


O Portal do Holanda foi fundado em 14 de novembro de 2005. Primeiramente com uma coluna, que levou o nome de seu fundador, o jornalista Raimundo de Holanda. Depois passou para Blog do Holanda e por último Portal do Holanda. Foi um dos primeiros sítios de internet no Estado do Amazonas. É auditado pelo IVC e ComScore.

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