Alimentos ultraprocessados causam 57 mil mortes no Brasil
Pesquisadores da USP, Fiocruz, Unifesp e Universidad de Santiago de Chile publicaram um estudo inédito que calculou pela primeira vez o número de mortes prematuras associadas ao consumo de alimentos ultraprocessados no Brasil. De acordo com dados coletados em 2019, são aproximadamente 57 mil óbitos por ano.
O número é maior que o total de homicídios no país em 2019, que foi de 45,5 mil, de acordo com o Atlas da Violência, e ultrapassa a soma de mortes por câncer de pulmão (28,6 mil) e mama (18 mil), os tumores que mais matam no país.
Os ultraprocessados são feitos com partes de alimentos que contêm aditivos sintéticos como corantes, conservantes e aromatizantes e têm mecanismos inflamatórios que estão relacionados a alterações na microbiota intestinal e resultam em doenças como diabetes, câncer e problemas cardiovasculares. Segundo a última Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE (dos anos de 2017 e 2018), em média, 19,7% das calorias ingeridas pelos brasileiros vêm de ultraprocessados.
Eduardo Nilson, pesquisador da Nupens, explicou ao Uol que o mais preocupante é que o consumo de ultraprocessados não para de crescer. "A gente vê uma tendência de crescimento dos ultraprocessados substituindo a dieta tradicional. Há vários motivos para isso, mas um fator determinante é, sem dúvidas, o preço. Há uma tendência de redução nos preços dos ultraprocessados, enquanto o de alimentos frescos, in natura e minimamente processados está crescendo. Isso é muito cruel porque afeta principalmente as populações de menor renda, mais vulneráveis".
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ASSUNTOS: Saúde e Bem-estar