Troca de empresas pode fazer água

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18/05/2012 0h45 — em Editorial

O prefeito Amazonino Mendes pode ser acusado de advocacia administrativa. Ele admitiu que acompanhou e incentivou todos os passos da transação que resultou na decisão da Águas do Amazonas em  "ceder" a concessão  dos serviços de abastecimento à empresa Águas do Brasil. Esse "esforço" não deixa de ser  uma interferência em negócio envolvendo duas empresas privadas, valendo-se da qualidade de prefeito. Amazonino pode dizer em sua defesa que havia o interesse público em jogo, mas o caminho podia ser outro, mais transparente e republicano.

 
O maior acionista da Águas do Brasil, a construtora Queiroz Galvão, foi citada no caso envolvendo o bicheiro Carlinhos Cachoeira - teria vendido um precatório de R$ 20 milhões junto à Prefeitura de Anápolis à  Delta Engenharia, por apenas R$ 4 milhões. Foi a segunda construtora com maior faturamento  na era Dilma : R$ 1,4 bilhão, somente com o Plano de Aceleração do Crescimento - PAC . 

Seus sócios,  Ricardo de Queiroz Galvão  e Dario de Queiroz Galvão Filho são  réus  em processo criminal movido pelo Ministério Público Federal  na  12ª Vara da Justiça Federal em Brasília,   acusados, entre outros,  de envolvimento em superfaturamento de R$ 1,2 bilhão em obras de dez aeroportos.

A empresa  entra no negócio da água Manaus pela porta dos  fundos. O que pode produzir e investir,por enquanto, são projeções, pensamentos noturnos de um prefeito que se diz preocupado com a cidade que administra. Ou meras elocubrações. Só o tempo dirá se a troca é saudável e seus metódos republicanos.

 
Raimundo Holanda
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