A gente precisa aprender...

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04/06/2014 21h13 — em Editorial

A aprovação tranquila, em segundo turno, da PEC da prorrogação da Zona Franca de Manaus, ontem à noite na Câmara dos Deputados, mostrou que o discurso do desenvolvimento com preservação ambiental sustentado pelo Amazonas desde a histórica ADI 2348-MC/DF, impetrada junto ao STF pelo governo estadual em 2001 e relatada pelo ministro Marco Aurélio de Melo, que definiu a constitucionalidade e intocabilidade do modelo em nome do desenvolvimento regional, ganhou força e agora já é defendido por parlamentares de todas  as regiões.  

Pode-se dizer, a partir de hoje, que a Zona Franca de Manaus obteve em seus 47 anos de existência quatro vitórias excepcionais. A primeira, na Constituinte de 88, com o senador Bernardo Cabral liderando a bancada federal amazonense na conquista da inclusão da ZFM no ADCT da Carta Magna. A segunda, com o reconhecimento por unanimidade dos ministros do Supremo da intocabilidade constitucional da Zona Franca. A terceira, com a consagração do discurso ambientalista defendido por Marco Aurélio de Melo e hoje reconhecido por todo o país. A quarta vitória ainda não está concluída, mas já é ponto pacífico que deve ser confirmada em breve pelo Senado.

Na votação de ontem, foi notória a defesa que deputados de outros estados, como Sibá Machado (AC), que é vice-líder do PT, Sarney Filho (MA), líder do PV, fizeram da Zona Franca como garantia de desenvolvimento econômico e ajuda na preservação ambiental. O deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE), abordou o lado social do modelo, lembrando que a Zona Franca gera 120 mil empregos diretos e que "Antes, o PIB da região era 0,56% (do PIB nacional) e, agora, é 1,58".

Falta agora aos locais se conscientizarem que o discurso, tão bem aplicado até aqui, precisa se transformar em ações realitas e positivas para o desenvolvimento de novas alternativas capazes de consolidar e direcionar a Zona Franca para as suas reais características de sustentabilidade, regionalizando as atividades com os potenciais econômicos já identificados e construindo uma cadeia produtiva que possa substituir o modelo importador de alta tecnologia. Aí o desenvolvimento será em dobro, em triplo, ou muito mais.

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