A morte do taxista e a sociedade traída

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06/06/2012 21h06 — em Editorial

Wellington Pontes Machado foi preso em 2009 depois de cometer assalto a um ônibus em Manaus. Condenado a cinco anos e  seis meses de prisão em regime semi-aberto, até 18 de abril deste ano o sistema penitenciário não sabia informar se ele cumpria pena ou se encontrava foragido. O assassinato do motorista Plínio Lima Tavares, na madrugada desta quarta-feira, serviu para revelar onde Wellington se encontrava: nas ruas, roubando e matando.
 

Um ofício da promotora Romina Carmen Brito Carvalho, datado de 18 de maio, enviado à Vara de  Execuções Penais, reclama que nos autos, durante a instrução processual ou após o trânsito em julgado da sentença, não constava se o apenado fora  posto  em liberdade e pede informações "sobre o recluso".

O que essa história revela é que criminosos, quando raramente presos e sentenciados, não cumprem pena. Há sempre um jeitinho que os coloca nas ruas, quando não fogem para esperar o crime prescrever.

O amazonense (e de resto o brasileiro),  paga caro para manter um sistema prisional corrupto e, em grande parte, é vítima desse mesmo sistema,  duplamente falho, seja no cumprimento de sua tarefa básica  de manter reclusos cidadãos apenados, seja na relação com essa mesma sociedade, que se sente traída todas as vezes que descobre   que um sentenciado não está atrás das grades, mas invadindo sua casa, violentando suas esposas e filhas, ou matando taxistas.

Raimundo Holanda

 

 
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