Braga e o Dia do Juízo Final

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01/05/2012 16h01 — em Editorial

O senador Eduardo Braga, mais do que ninguém, deve imaginar o quanto é importante para o seu futuro político um entendimento com o governador Omar Aziz. Uma das razões são os esqueletos que ficaram de seu governo. Por enquanto permanecem onde sempre estiveram, à espera do Dia do Juízo Final, que agora  parece muito próximo.

Se ressuscitarem, cai a Bastilha, com implicações dentro do próprio PMDB, onde o senador encontra dificuldades para liderar um grupo heterogêneo, com múltiplos interesses nacionais e que o considera um simples intruso.

O temperamento irascível, impulsivo, instintivo e difícil do senador era tolerado enquanto estava no governo do Amazonas e, como ele mesmo dizia, era "Deus". Os que o toleravam se resumia a uma pequeno grupo acostumado às suas crises de histeria.

O senador não percebeu que agora está em outro cenário, com maior visibilidade e onde não cabe açodamentos.

No fundo, essa preocupação de Eduardo Braga com a sucessão municipal está relacionada a um pesadelo:   de que não sobreviverá como lider do governo e será destroçado pelas feras do PMDB, que apostam no seu fracasso. A alternativa final poderá ser a candidatura a prefeito de Manaus.

Mas o cenário que Braga vai enfentar será difícil. Um rompimento com o governador - e o senador deu o primeiro passo nesse sentido esta semana - indica que pode caminhar sozinho e com o sério risco de perder as eleições.

Em Brasília as coisas estão complicadas.  Braga consegue descontentar a um só tempo o PMDB e o governo. Semana passada, conta a  revista Veja, "durante uma audiência no Ministério da Fazenda, no anseio de fazer prevalecer seu ponto de vista no debate sobre mudanças no ICMS, Braga elevou o tom de voz a um ponto que constrangeu o ministro Guido Mantega e a ministra Ideli Salvatti, sua madrinha de indicação".

Braga não percebe, nem seus cegos seguidores, mas experimenta um declínio que ganha forma a cada dia e fica cada vez mais visível.

E qual o maior deslize do senador ? O verbo, que ele tenta empregar em todos os tempos, sem atentar que a comunicação é muito mais simples. No caso de um político que se sente líder, o que vale é o tempo presente, as costuras políticas, para o fortalecimento das alianças. Coisa que o senador não aprendeu a fazer.

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