Governo federal realiza reunião de emergência durante megaoperação no Rio
Em meio à megaoperação policial no Rio de Janeiro, o governo federal convocou nesta terça-feira (28) uma reunião de emergência no Palácio do Planalto. O encontro, com duração de cerca de uma hora, foi presidido pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e contou com a presença de ministros de Estado, tratando das ações direcionadas contra a facção Comando Vermelho. No momento da reunião, o presidente Lula está no voo de retorno da Malásia sem comunicação externa, com previsão de retorno para esta noite.
Na reunião, ficou decidido que os ministros Lewandowski e Rui Costa vão para o Rio nesta quarta, para se encontrar com o governo local, acompanhados de William Marcel Murad, diretor-executivo da Polícia Federal, segundo o G1 Política.
Troca de acusações - O governador Cláudio Castro inicialmente afirmou que o estado estava "sozinho", acusando o governo federal de negar por três vezes o empréstimo de blindados por falta de um decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Horas depois, Castro recuou em ligação para a ministra Gleisi Hoffmann, afirmando não ter tido a intenção de criticar o presidente Lula. No entanto, assessores presidenciais rebateram as alegações, afirmando que o governo do Rio nunca formalizou um pedido de GLO nem notificou sobre a dimensão da operação - requisitos essenciais para o apoio federal. A equipe de Lula avalia que o governador tentou transferir sua responsabilidade para Brasília.
O Ministério da Defesa afirmou que atendeu a um pedido específico do estado em janeiro, posicionando blindados nos arredores do Hospital Naval Marcílio Dias, dentro do limite legal de 1.400 metros, após a morte de uma capitã da Marinha em dezembro. Paralelamente, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, negou ter recebido quaisquer pedidos de ajuda da gestão estadual, contradizendo as declarações do governador.
Cenário de guerra - Enquanto isso, a população vive um caos em meio ao cenário de guerra nas ruas do Rio de Janeiro. A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU) encaminharam nesta terça-feira ofício ao governador Cláudio Castro solicitando que “informe detalhadamente de que forma o direito à segurança pública foi promovido” na megaoperação policial que até agora resultou na morte de 64 pessoas, quatro delas policiais.
Veja também
ASSUNTOS: Brasil