Usuários de drogas são expulsos de calçada no centro de SP por GCMs
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um grupo de usuários de drogas foi expulso na noite desta segunda-feira (19) por guardas-civis metropolitanos da calçada da rua General General Júlio Marcondes, na região de Campos Elíseos, no centro de São Paulo.
Imagens gravadas por celular mostram que um carro da GCM para no meio da rua e ao menos três guardas fazem com que pelo menos dez pessoas deixem o local. Elas caminham para diferentes pontos da rua Apa, que fica a seguir.
O vídeo não mostra violência na ação. Um GCMs observa quando um usuário de drogas atravessa a rua sem cuidado e um motociclista precisa reduzir a velocidade e desviar para não atropelar essa pessoa.
Dois GCMs ficam por alguns instantes na esquina e voltam depois. Um deles chuta pertences deixados na calçada.
Usuários de drogas têm perambulado pelas ruas do centro desde que a esvaziamento da cracolândia no na última terça-feira (13) -consumidores de crack dizem que ela foi dispersada com uso de violência, conforme mostrou a reportagem.
Um usuário contou que fez parte de um grupo retirado das proximidades da rua dos Protestantes na quinta-feira da semana passada. Os guardas-civis, conforme afirmou, chegaram agredindo e jogaram os usuários na parte de trás das viaturas.
Questionada nesta segunda-feira sobre a retirada das pessoas que estavam na calçada da rua General General Júlio Marcondes na noite desta segunda, a GCM não respondeu até a publicação desta reportagem.
Na semana passada, a Prefeitura de São Paulo afirmou que a Guarda Civil Metropolitana segue protocolos técnicos e é pautada pelo respeito à dignidade das pessoas.
"A gestão ressalta que repudia veementemente desvio de conduta e, se constatada alguma situação desta natureza, o caso será imediatamente apurado", afirma a gestão Ricardo Nunes (MDB).
Como mostrou a colunista Monica Bergamo, o vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo, vai participar de uma caminhada com comerciantes do centro da capital nesta terça-feira (20). A concentração acontece no Largo Santa Efigênia, às 10h. O ato é um gesto de agradecimento público às operações da prefeitura que vêm esvaziando a região historicamente tomada por usuários de drogas.
Segundo Mello Araújo, após o percurso, os lojistas apresentarão uma proposta para ocupar a área, com o objetivo de evitar o retorno de pessoas em situação de rua.
O Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado de São Paulo informou que está apurando o que aconteceu com os usuários para tomar medidas cabíveis. A Ouvidoria da Polícia afirma que não recebeu nenhuma demanda sobre a violência policial contra os usuários.
Na última sexta-feira (16), o serviço de assistência social de Jundiaí (a 58 km de São Paulo) afirma ter notado aumento de pessoas em situação de rua vindas da capital com pedidos pagamentos de passagens para outros municípios ou estados. O registro foi na mesma época do esvaziamento da cracolândia.
A Prefeitura de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, investiga, por exemplo, se dependentes químicos da cracolândia foram transportados para a cidade.
Moradores de Guarulhos, em especial do Parque Santos Dumont, na zona norte, relataram um aumento no número de dependentes na região. A gestão Lucas Sanches (PL) foi informada e iniciou uma investigação.
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