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Campbell teria sido alvo de lobby de Carlinhos Cachoeira

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  O ministro Mauro Campbell teria sido alvo de lobby do grupo de Carlinhos Cachoeira para votar pela anulação de processo contra a Amilton Batista Faria, presidente da Câmara de Vereadores de Anápolis, importante aliado do  bicheiro. O ministro nega favorecimento, mas convicção jurídica no seu voto.  O assédio ao ministro teria sido feito pelo senador Demóstenes Torres (DEM).

— Ele não me pediu conteúdo de voto algum. Eu não teria nenhum constrangimento em te afirmar isso categoricamente. Necessariamente não houve pedido. Sequer disse qual era o motivo que se discutia nos autos. Não chegamos nem a esse ponto. A audiência foi curta. Ele pediu apenas preferência — disse o ministro Campbell ao jornal O Globo;

O ministro disse ainda que votou pela anulação da investigação contra o vereador por convicção jurídica. O processo teria uma falha, segundo ele, porque a funcionária fantasma do gabinete do vereador não teria sido chamada para depor na fase inicial. Campbell considerou deploráveis as declarações de Demóstenes. O senador teria usado indevidamente o nome dele:

— Se isso aí está nas gravações, ele está vendendo algo que, absolutamente, não pode ter — disse.

No relatório da Operação Monte Carlo encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, como parte do inquérito contra Demóstenes, a PF aponta do tráfico de influência do senador nesta ação: “No dia 15/06/2011 também nos deparamos com importantes diálogos no sentido de que o senador possa estar praticando, em tese, crime de exploração de prestígio em auxílio a Cachoeira e seus prestigiados políticos da região”.

O senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) pediu a vários ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) a anulação de um processo contra um aliado do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

 Reportagem do jornal o Globo revela que gravações da Polícia Federal mostram que às véspera do julgamento do  processo contra   um aliado do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, em junho do ano passado, o senador Demóstenes Torres telefonou para Cachoeira para pedir   o número do processo e fazer loby no STJ.

O caso, segundo o jornal,  estava na Segunda Turma e o amazonense Mauro Campbell Marques foi o único a votar pela anulação do processo contra Amilton Batista Faria, presidente da Câmara de Vereadores de Anápolis, importante aliado de Cachoeira. O ministro nega favorecimento, mas convicção jurídica no seu voto.

Batista foi condenado pelo Tribunal de Justiça de Goiás por contratar servidor fantasma às custas dos cofres públicos. Depois de sofrer derrota no tribunal, em Goiás, o vereador tentou escapar da punição no STJ com a ajuda de Cachoeira e Demóstenes.

O próprio Cachoeira reconhecia o vereador como réu confesso, mas acreditou que o senador Demóstenes poderia ajudá-lo.

A pedido do bicheiro, depois da primeira ronda, o senador repassa a ele algumas informações sobre a empreitada. A conversa foi interceptada no dia 15 de junho do ano passado.

— To chegando aqui. Aquele ministro que nós pedimos, votou com a gente. O outro votou contra. Então tá um a um — avisa o senador.

Cachoeira manda Demóstenes continuar seu périplo pelos gabinetes.

— Tem que pedir os outros, né. Agora é decisivo aí — ordena o bicheiro.

Em outras conversas Demóstenes pede dados do processo contra o vereador. Uma das ligações ocorreu no gabinete de um dos ministros.

— Tô aqui para falar com o outro ministro e esqueci... Dei o papel lá para outro e tô sem as anotações aqui, e você podia me arrumar o número do recurso, que tipo de recurso e o nome do recorrente — pede o senador no seu papel de despachante de Cachoeira.

Do outro lado, o bicheiro repete o nome do vereador e diz que também está sem os papéis em mãos. Demóstenes avisa que é preciso pressa:

— Liga aí urgente, que eu tô entrando aqui na sala dele.

Minutos depois, os dois voltam a conversar e Cachoeira repassa os detalhes necessários. À noite, em mais uma conversa sobre o assunto, Demóstenes fala que um outro ministro daria decisão favorável ao grupo. O senador não cita o nome do magistrado.

— O outro ministro lá garantiu que vai votar conosco. Falou? — confidencia o senador.

— Excelente, Doutor — comemora Cachoeira.l.

— Ele não me pediu conteúdo de voto algum. Eu não teria nenhum constrangimento em te afirmar isso categoricamente. Necessariamente não houve pedido. Sequer disse qual era o motivo que se discutia nos autos. Não chegamos nem a esse ponto. A audiência foi curta. Ele pediu apenas preferência — disse o ministro Campbel.

— Se isso aí está nas gravações, ele está vendendo algo que, absolutamente, não pode ter — disse.
 

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