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Regras que valem para Cigás, devem valer para Águas de Manaus


Por Raimundo de Holanda

17/01/2026 18h37 — em
Bastidores da Política


  • O problema não é a Cigás, que teve obras suspensas pelo Município, nem a defesa de qualquer empresa. O ponto central é que esse mesmo rigor contra a concessionária de gás não aparece com a mesma frequência quando as intervenções são feitas pela Águas de Manaus.
  • Poder de polícia não pode funcionar por exceção. Se a Prefeitura consegue embargar uma obra da Cigás, quando identifica irregularidades, precisa agir do mesmo modo em relação a Águas de Manaus.
  • Fiscalização desigual não protege Manaus — apenas transmite a ideia de que alguns podem mais do que outros.

A decisão da Prefeitura de Manaus, por meio de seu órgão técnico, de embargar uma obra da Cigás, mostra que o Município tem instrumentos e autoridade para agir quando uma intervenção urbana causa danos à cidade ou descumpre o que foi autorizado. Isso é o chamado poder de polícia: fiscalizar, corrigir e, quando necessário, parar obras para proteger ruas, trânsito e a população.

Mas buracos abertos pela Águas de Manaus por longos períodos, transtornos no trânsito e vias danificadas também fazem parte da rotina da cidade, sem que a fiscalização produza respostas visíveis ou proporcionais.

Poder de polícia não pode funcionar por exceção. Se a Prefeitura consegue embargar uma obra quando identifica irregularidades, precisa agir do mesmo modo em todas as situações semelhantes. Serviço essencial - como a de água e esgoto - não autoriza nenhuma empresa desorganizar a cidade nem operar sem controle efetivo.

No fim, a discussão é simples: ou as regras valem para todos, ou perdem sentido. 

Fiscalização desigual não protege Manaus — apenas transmite a ideia de que alguns podem mais do que outros.

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ASSUNTOS: Águas de Manaus, Cigás

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.