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Mais de 500 trabalhadores são resgatados de trabalho escravo em obra em MT

Mais de 500 trabalhadores são resgatados de trabalho escravo em obra em MT
Mais de 500 trabalhadores são resgatados de trabalho escravo em obra em MT

Mais de 500 trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão em um canteiro de obras da TAO Construtora, em Porto Alegre do Norte (MT). A operação conjunta do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e do Ministério Público do Trabalho (MPT) teve início após um incêndio provocado por operários em protesto contra a falta de água e energia. Os trabalhadores, recrutados em estados do Norte e Nordeste, viviam em alojamentos superlotados, sem ventilação e com condições precárias de higiene.

A fiscalização constatou diversas irregularidades, como jornadas exaustivas, ausência de equipamentos de proteção, alimentação inadequada e refeitórios insalubres. Alojamentos medindo 12 m² abrigavam até quatro pessoas, sem camas ou roupas de cama apropriadas. Após o incêndio, que destruiu dormitórios e parte das instalações, muitos operários foram transferidos para hotéis ou ginásios, mas ainda enfrentam más condições de acolhimento.

Além da precariedade estrutural, os fiscais encontraram indícios de tráfico de pessoas e servidão por dívida. Trabalhadores relataram ter pago para garantir vaga na obra e arcaram com custos de viagem, descontados ilegalmente dos salários. Também foi descoberto um sistema paralelo de ponto, no qual horas extras não eram registradas oficialmente e os pagamentos eram feitos "por fora", em dinheiro ou cheque, sem recolhimento de FGTS ou INSS.

A alimentação oferecida aos operários era alvo de denúncias, com relatos de comida contaminada e repetitiva. Após o incêndio, houve demissões por justa causa e rescisões contratuais. O MPT negocia com a construtora um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), que inclui indenizações por danos morais, pagamento de direitos trabalhistas e auxílio para retorno dos trabalhadores às suas cidades de origem.

Os trabalhadores resgatados terão direito ao seguro-desemprego especial previsto para vítimas de trabalho análogo à escravidão. A força-tarefa ainda analisa documentos e pode realizar novas inspeções. A TAO Construtora tem outras obras em andamento no estado e, até o momento, não se pronunciou oficialmente sobre as denúncias. O caso reforça a importância da denúncia anônima por meio do Sistema Ipê, que permite o combate a violações graves como essa.

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