Chefe do PCC que namora delegada ensinava técnicas de tortura a jovens da facção em RO
Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como “Dedel”, apontado como um dos chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC) em Roraima, ensinava técnicas de tortura a jovens integrantes da facção no estado. Ele é namorado da delegada Layla Lima Ayub, presa em São Paulo por suspeita de envolvimento com o grupo criminoso, segundo investigações do Ministério Público.
Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra Jardel orientando jovens a agredir as mãos de uma vítima com um pedaço de madeira, prática associada a sessões de tortura. As imagens foram publicadas com a legenda “Aqui o chicote estala” e passaram a integrar o conjunto de provas analisadas pelas autoridades.
De acordo com investigações da Polícia Federal, Dedel foi enviado de São Paulo para Roraima com o objetivo de fortalecer a atuação do PCC no estado. Ele foi preso em 2021 por recrutar adolescentes para a facção, chegou a ser condenado a oito anos de prisão em regime semiaberto e cumpriu pena na Penitenciária Agrícola do Monte Cristo, em Boa Vista.
Relatórios de inteligência apontam que Jardel atuava principalmente na zona Oeste da capital, onde se apresentava como representante da facção paulista. As apurações indicam que ele pressionava lideranças locais por ações mais violentas, incluindo a articulação de ataques contra integrantes do Judiciário, do sistema prisional e das forças de segurança.
A delegada Layla Lima Ayub foi presa durante uma operação que investiga a infiltração do crime organizado em estruturas do Estado. Segundo o Ministério Público, ela mantinha vínculos pessoais e profissionais com membros do PCC, além de exercer irregularmente a advocacia após tomar posse como delegada. Layla e Jardel são investigados por organização criminosa e lavagem de dinheiro, e a Justiça autorizou prisões e mandados de busca em São Paulo e no Pará.
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