Lula acusa Israel de genocídio e diz que país deve "parar com o vitimismo"
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (3) que Israel comete "genocídio" na Faixa de Gaza e que o governo israelense precisa "parar com o vitimismo". A declaração foi feita durante entrevista no Palácio do Planalto, após Lula ser questionado sobre uma nota da embaixada de Israel no Brasil. O documento criticou autoridades que, segundo a embaixada, estariam "comprando mentiras" do Hamas.
"Vem dizer que é antissemitismo? Precisa parar com esse vitimismo. O que está acontecendo na Faixa de Gaza é um genocídio, é a morte de mulheres e crianças que não estão participando de guerras", afirmou o petista.
Lula afirmou que não cabe a um presidente da República responder a uma embaixada, mas reiterou suas críticas às ações militares israelenses. "Está acontecendo em Gaza não é uma guerra, é um exército matando mulheres e crianças", disse. Ele ainda declarou que, por conta da própria história de sofrimento do povo judeu, o governo de Israel deveria adotar uma postura mais humanitária.
A nota da embaixada foi publicada um dia antes, sem mencionar diretamente Lula, mas veio após o presidente ter classificado as ações do governo de Benjamin Netanyahu como atos de "vingança" e "massacre". Desde o início da guerra entre Israel e Hamas, em outubro de 2023, o governo brasileiro tem criticado a condução militar israelense e defendido um cessar-fogo duradouro.
Dados do Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas — organização considerada terrorista por países como EUA, Israel e União Europeia — indicam cerca de 60 mil mortos desde o início do conflito. O governo Lula, por meio de declarações do presidente e do chanceler Mauro Vieira, tem acusado Israel de agir de forma desproporcional e de dificultar o acesso à ajuda humanitária na região.
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