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Ex-conselheira diz que avisou sobre irregularidades no INSS desde 2019

Por Portal Do Holanda

20/10/2025 18h29 — em
Brasil


Foto:  Lula Marques/ Agência Braasil.

Durante depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, a ex-integrante do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) Tonia Galleti afirmou que, desde 2019, vem alertando autoridades do Ministério da Previdência e do INSS sobre fraudes em descontos associativos de aposentados e pensionistas. Ela contou que tomou conhecimento das irregularidades por meio de reclamações de associados do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi).

“Eu já estava alertando desde 2019 essas ocorrências. Em todas as oportunidades, poderia ser em qualquer lugar: em reunião com o diretor de benefícios, presidente do INSS, com Ministério do Trabalho, da Previdência, onde eu tinha oportunidade eu dizia: ‘olha, como dizia Tancredo Neves, tem jabuti na árvore’”, disse. 

Segundo Tonia, muitos aposentados relataram que foram filiados a outras entidades sem autorização, descobrindo o problema apenas quando tentavam usar os serviços do sindicato. “Tudo começou com os sócios reclamando, não do sindicato, mas de que estavam sendo abordados por outras entidades. A pessoa ia utilizar a farmácia do Sindnapi e quando chegava lá ele não era mais sócio, ele estava filiado a outra instituição. Teve até diretor que deixou de ser sócio e foi para uma associação desconhecida e ele não assinou nada”, relatou. Ela disse ainda que, em 2023, pediu que o tema fosse discutido em reunião do conselho, mas isso não aconteceu. A Polícia Federal apurou que, entre 2019 e 2024, os descontos associativos em folha de pagamento cresceram 77 vezes, passando de 18,6 mil para 1,4 milhão.

O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), questionou o crescimento do número de associados do Sindnapi após a parceria com a corretora CMG, ligada ao Banco BMG, iniciada em 2019. Segundo ele, os descontos automáticos aumentaram rapidamente e a entidade teria arrecadado cerca de R$ 600 milhões. “O sindicato estava estagnado, perdendo filiados e procuraram uma metodologia para inverter essa curva. Aí a vida do Sindnapi se encontrou com a vida do BMG... De 2008 até 2020 temos um parâmetro muito similar de descontos associativos. Aí em 2020 ele começa a crescer num ritmo alucinado, sai de 145 mil associados para 366 mil em 2023”, afirmou Gaspar. Tonia negou qualquer fraude. “O sindicato vive de mensalidade associativa. O sindicato nunca fraudou fichas ou documentos de aposentados ou de pensionistas para ter esses sócios dentro do sindicato”, respondeu.

Tonia também foi questionada sobre repasses a familiares, que, segundo o relator, teriam recebido mais de R$ 20 milhões por meio de consultorias prestadas ao sindicato. Ela rebateu dizendo que os serviços foram realizados de forma legítima e criticou a tentativa de desmoralizá-la. “Vocês estão matando o mensageiro... tiram do cidadão a coragem de denunciar a corrupção. Vocês colocam não sei quantos milhões, mas a minha família trabalhou. Trabalhava dez, onze horas por dia. Fico muito indignada de verdade quando querem jogar sobre mim a pecha de que sou safada, ladra, de que eu roubei. Eu não vou admitir”, afirmou. Um habeas corpus concedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), garantiu a Tonia o direito de não responder a perguntas que pudessem incriminá-la. Na mesma sessão, também estava previsto o depoimento de Felipe Macedo Gomes, ex-presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios, investigado por um esquema que teria movimentado R$ 1,1 bilhão em descontos indevidos no INSS entre 2022 e 2024.


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