Compartilhe este texto

Consumo de maconha entre mulheres e adolescentes triplica no Brasil, diz estudo

Por Portal Do Holanda

22/12/2025 18h28 — em
Brasil


Foto: Divulgação / Pixabay

Um novo levantamento da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) aponta uma mudança drástica no perfil de consumo de drogas no Brasil. Segundo dados do terceiro Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), o uso de cannabis entre mulheres a partir dos 14 anos mais do que triplicou na última década. Entre as adolescentes, o índice saltou de 2,1% para 7,9%, enquanto na população adulta feminina a taxa subiu de 3% para 10,6% no período entre 2012 e 2023.

O estudo, realizado em parceria com a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad/MJSP), consolida a maconha como a substância ilícita mais consumida no país. Estima-se que 16,6% dos brasileiros — cerca de 28 milhões de pessoas — já tenham utilizado a droga ou produtos derivados, como óleos e resinas, ao menos uma vez na vida. O uso recente também apresentou crescimento significativo, dobrando a prevalência de 2,8% para 6% nos últimos 12 meses analisados pela pesquisa.

Um dado que chama a atenção dos pesquisadores é a inversão no padrão de consumo por gênero entre os mais jovens. Historicamente, o uso era mais prevalente entre garotos de até 17 anos, mas o cenário mudou: agora o consumo é maior entre as meninas, enquanto o uso entre adolescentes do sexo masculino registrou uma queda acentuada de quase 60%. Ao todo, cerca de um milhão de adolescentes brasileiros já experimentaram cannabis, evidenciando uma nova dinâmica social e geracional.

A vulnerabilidade dos jovens é um dos pontos críticos destacados pelo levantamento. Aproximadamente 7,4% dos adolescentes que utilizam a substância precisaram de atendimento médico de emergência, um índice muito superior aos 2,7% registrados entre adultos. Além disso, o estudo revela um forte desejo de interrupção: 68% dos usuários mais jovens afirmaram que gostariam de parar de consumir a droga, mas 43% relataram não conseguir abandonar o hábito por conta própria.

Quanto às formas de uso, o cigarro de maconha "prensada" continua sendo o método predominante, adotado por 90% dos consumidores. No entanto, novas modalidades ganham espaço, como o uso de comestíveis (10%) e vaporizadores (4%). Outro dado preocupante é a presença de canabinoides sintéticos, as chamadas "drogas K", relatadas por 11,6% dos usuários com menos de 17 anos, o que eleva consideravelmente o risco de toxicidade e dependência grave nesta faixa etária.

Por fim, o relatório da Unifesp indica que o crescimento não se restringe à cannabis, mas atinge diversas substâncias psicoativas ilícitas. Em dez anos, o uso de ecstasy saltou de 0,76% para 2,20%, acompanhado pelo aumento no consumo de alucinógenos e estimulantes sintéticos. Ao todo, quase 19% dos entrevistados em 2023 admitiram ter utilizado algum tipo de droga ilícita na vida, reforçando a necessidade de políticas públicas de prevenção e tratamento mais direcionadas.


Siga-nos no
O Portal do Holanda foi fundado em 14 de novembro de 2005. Primeiramente com uma coluna, que levou o nome de seu fundador, o jornalista Raimundo de Holanda. Depois passou para Blog do Holanda e por último Portal do Holanda. Foi um dos primeiros sítios de internet no Estado do Amazonas. É auditado pelo IVC e ComScore.

ASSUNTOS: Brasil

+ Brasil