Judiciário ativista trava o desenvolvimento da Amazônia
- O Estado do Amazonas tenta estruturar o mercado ambiental — algo que o mundo inteiro afirma desejar — e imediatamente é acusado de atropelo, manipulação e risco às comunidades por uma juíza federal. O resultado prático é sempre o mesmo: o desenvolvimento é travado e os amazônidas continuam dependentes de informalidade, garimpo ilegal ou migração.
- O padrão é sempre o mesmo: tudo que diz respeito ao desenvolvimento amazônico é paralisado por uma lógica de tutela. Não se pavimenta estrada porque “impacta a floresta”. Não se explora potencial mineral porque “ameaça o meio ambiente”. Não se avança na bioeconomia industrial porque “é preciso pensar nas futuras gerações”.
- A mais recente suspensão judicial do programa de créditos de carbono do governo do Amazonas pela juíza federal Marília Gurgel, ilustra esse impasse. Qualquer tentativa de criar mecanismos locais de valorização econômica da floresta esbarra em acusações, litígios, disputas narrativas e uma infinita lista de pré-condições.
A Amazônia não precisa de tutores — precisa de liberdade para se libertar do atraso e da pobreza. Precisa deixar de ser tratada como área sob curatela permanente, administrada por decisões externas, discursos importados e intervenções judiciais que se justificam sempre em nome da “proteção”.
A floresta virou bandeira geopolítica, moeda de barganha diplomática e palco para que governos e organizações internacionais sustentem agendas próprias — mas raramente um território onde o povo que nela vive decide algo. E, quando decide, logo se levanta um novo obstáculo institucional para lembrar que autonomia, ali, ainda não é permitida.
As gerações presentes — aquelas que pegam barco para chegar ao hospital, que trabalham em atividades criminalizadas, que dependem da precariedade — permanecem invisíveis. O discurso local, judicial e internacional celebra a floresta em pé; o morador da floresta segue sem direito ao próprio futuro.
ASSUNTOS: Amazônia, justiça. ativismo judicial
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.