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Indígena estuprada em delegacia aguarda reencontro com filhos em Manaus

Indígena estuprada em delegacia aguarda reencontro com filhos em Manaus
Indígena estuprada em delegacia aguarda reencontro com filhos em Manaus

Manaus/AM - Uma indígena Kokama de 29 anos, vítima de estupros enquanto esteve presa em uma delegacia no interior do Amazonas, continua impedida de viver com a família em Manaus. Mesmo após decisão judicial que autorizou sua transferência para uma residência cedida pelo governo estadual, ela segue isolada em um abrigo à espera de um laudo da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), necessário para a mudança.

A jovem cumpriu nove meses de pena em Santo Antônio do Içá, onde relatou ter sofrido torturas e abusos sexuais cometidos por policiais militares e um guarda municipal. Além das agressões físicas e psicológicas, foi obrigada a trabalhar em longas jornadas, mesmo em período de resguardo e enquanto amamentava o filho recém-nascido. O caso é investigado pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM), que já denunciou seis agentes de segurança envolvidos nas violações.

Em Manaus, a indígena busca reunir a família, composta pela mãe, o padrasto, dois filhos e a irmã de 27 anos, que enfrenta um câncer agressivo. A irmã passou recentemente por cirurgia de alta complexidade e depende de sondas para se alimentar. Hospedada em um hotel no Centro, ela aguarda a mudança para poder receber apoio da família. Parte das despesas de viagem dos parentes foi custeada por um defensor público que acompanha o caso.

A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) afirma que a demora da Funai em emitir o laudo técnico mantém a indígena em isolamento, mesmo após o cumprimento das obrigações do Estado. Para o defensor Theo Costa, a medida que deveria representar um avanço acabou agravando a situação de vulnerabilidade da jovem, que segue sem acesso à convivência familiar e sem apoio emocional.

Enquanto espera pela autorização oficial, a Kokama insiste que reencontrar a família é parte essencial do processo de reconstrução de sua vida. “Depois de tudo que aconteceu, é uma vitória estar perto das pessoas que eu amo”, declarou. Até que o impasse seja resolvido, ela permanece em um abrigo na capital, na expectativa de que a decisão judicial seja finalmente cumprida.

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