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Casais indígenas de 13 etnias realizam casamento coletivo no Amazonas

Casais indígenas de 13 etnias realizam casamento coletivo no Amazonas
Casais indígenas de 13 etnias realizam casamento coletivo no Amazonas

Manaus/AM - Um casamento coletivo de 26 casais indígenas de 13 etnias ocorreu em São Gabriel da Cachoeira, na última quinta-feira (20), no Amazonas. O município é considerado o mais indígena do Brasil por registrar a maior população autodeclarada indígena, conforme o último censo do IBGE.

O juiz-corregedor auxiliar do Amazonas, Áldrin Henrique Rodrigues, celebrou o casamento coletivo. (Foto: Ascom/Prefeitura de São Gabriel da Cachoeira) De acordo com a Corregedoria-Geral de Justiça do Amazonas (CGJ/AM), a cerimônia contou com casais das etnias Baniwa, Dessano, Baré, Kubeo, Tuyuka, Tukano, Barassana, Tariano, Arapasso, Piratapuya, Ybamasã, Hupda e Wanano. O casamento foi celebrado pelo juiz-corregedor auxiliar do Amazonas, Áldrin Henrique Rodrigues.

Ao se dirigir diretamente aos casais, que capricharam no visual, o magistrado comentou sobre o amor, do sentimento que podemos entregar ao outro. “Compreender o outro é sempre muito mais difícil, é preciso tolerância, paciência e respeito”, acrescentou, enfatizando que o amor vence qualquer barreira. O magistrado elaborou, especialmente para a ocasião, um texto para os noivos, intitulado “Um lugar encantado”:

“Cedo a chuva se fez presente como se quisesse derramar bênçãos de Tupã sobre a terra. Guaraci, o sol, também quis presenciar o momento solene do amor. Os pássaros cantaram anunciando que haveria festa na floresta e novos enlaces. Estávamos, pois, diante de um lugar encantado com seres míticos que nem mesmo tínhamos tamanha dimensão da grandeza: as matas, a lua, o sol, a força da água e, o principal, a magia do amor que nos invadiu tão fortemente, fazendo-nos iguais e irmãos “manos ou parente”, sem patentes, sem títulos, apenas iguais, mas também únicos. Era um lugar encantado com sua história, suas línguas, cultura e povo, mas unidos por um único elemento: o amor." (Áldrin Rodrigues).

Tradução - Ao realizar a clássica pergunta ao primeiro casal, se eles aceitavam casar-se, o questionamento a ambos precisou ser traduzido para a língua baniwa, pois os dois não entendiam o português. O juiz finalizou a celebração, declarando “casados” nas línguas tukano, baniwa e nheengatu, um dos momentos de grande emoção no Ceti Pedro Fukuyei Yamaguchi Ferreira, na sede de São Gabriel da Cachoeira. “A cerimônia buscou valorizar os povos originários, estudei e finalizei a celebração em quatro línguas: tukano, baniwa, nheengatu e português”, disse o juiz, que passou a ser o primeiro a finalizar uma cerimônia de casamento coletivo em quatro línguas, sendo três de povos originários.

“Iara pessuri pemendai uá”, palavras em nheengatu – língua falada por vários grupos de indígenas – e que em português significam “que seu casamento seja feliz”, foram ditas pelo mestre de cerimônia, Rony Santos, antes de chamar os recém-casados para a foto oficial.

O evento foi organizado pela Prefeitura do Município, através da Secretaria Municipal de Assistência Social, em parceria com o cartório extrajudicial de São Gabriel e com apoio da CGJ e do Tribunal de Justiça do Amazonas. De acordo com o Município, o projeto do casamento coletivo tem o objetivo de promover a regularização jurídica de casais que não tiveram condições ou oportunidade de oficializar a união.

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