Motorista de App admite agressão a passageiro em Manaus e alega ter sido assediado

Por Portal do Holanda

14/08/2020 15h56 — em Policial

Foto: Reprodução

Um passageiro do aplicativo 99 Pop, usou sua rede social para denunciar que foi agredido por um motorista da empresa na tarde de quinta-feira (13), no bairro Alvorada, em Manaus. De acordo com relato da vítima, as agressões aconteceram após ele informar ao motorista que era homossexual. 

O passageiro disse que colocou suas coisas no banco traseiro e sentou no banco do passageiro, ao lado do motorista, no meio da corrida, o motorista teria perguntado se ele era homossexual e ao confirmar a opção sexual, o passageiro levou um soco do homem que, durante as agressões, disse ter ódio de gays.

“No meio do caminho ele pergunta se eu era gay, disse que sim e então começei a ser espancado, levando socos e gritos de que viado precisa morrer e que eu precisava disso, e eu só sairia de lá depois de morto! Eu realmente fiquei sem reação, começo a ficar ensanguentado e perguntando o por que daquilo estar acontecendo comigo?”, escreveu na publicação.

Segundo a vítima, a única opção para ‘se manter vivo’ foi pular do carro em movimento. “Tentei relutar, puxei pelo menos uma das bolsas que tinha alguns documentos e o carro em alta velocidade, tive que pular. Ou era isso ou eu estaria morto. Cheio de sangue, sem saber o que estava acontecendo, ele me jurou que voltaria e me mataria de tanta porrada parei em um posto e só sabia chorar, e sangrar, pedi ajuda, gritei, estava todo deformado, simplesmente já não sabia mais o que eu era, como eu era e se deveria estar vivo!”, relatou o jovem.

Ainda na noite desta quinta-feira (13), após a exposição do caso de agressão, o motorista de aplicativo Júnior Cruz da Silva, divulgou um vídeo nas redes sociais informando que não foi ele que atendeu a vítima e que inclusive registrou um Boletim de Ocorrência (B.O) sobre o caso.

“Eu sou Júnior Cruz da Silva e estou sendo acusado de homofobia, fiquei sabendo pelas redes sociais. Então, me dirigi imediatamente para a delegacia para esclarecer essa situação, para explicar que não fui eu. Essa conta da 99 eu emprestei para um parente e não sei o que aconteceu até o presente momento. Eu to aqui dando a minha cara a tapa para esse rapaz me reconhecer e vê que não fui eu que agredi ele”, disse no vídeo.

O delegado João Neto, titular do 10ª Distrito Integrado de Polícia (DIP), contou, na manhã desta sexta-feira (14), que o motorista, identificado por Paulo Lima, 37, assumiu que desferiu um soco no passageiro, porém, teria feito isso após ter seu corpo apalpado por ele. Ele ainda teria recebido uma mensagem pelo aplicativo, enviada supostamente pelo passageiro, com teor erótico. 

"Recebemos o B.O na manhã de hoje sobre essa agressão, procuramos a pessoa responsável pela conta no aplicativo e essa indicou o seu tio, para quem ele havia emprestado o carro. Ouvimos esse homem e estamos na fase inicial da apuração, mas é cedo para falar alguma coisa. Mas o suposto autor confirma a agressão, mas disse que fez não por discriminação de orientação sexual, mas porque foi apalpado", disse. 

O delegado destacou, que após ter feito o B.O a vítima não foi até a delegacia, mas entrou em contato afirmando que até segunda-feira (17) deve prestar depoimento. "A vítima disse que vem a delegacia para ser ouvida até segunda-feira. O motorista está sendo indiciado por lesão corporal e vamos esperar o exame para saber o gral da lesão", comentou.

O motorista Paulo que está sendo acusado, relatou que após a denúncia do passageiro, vem sofrendo ameaças. Mas explicou que ao aceitar a corrida já havia sido "cantado" pelo passageiro através de mensagem. Mas por medo de ser bloqueado no aplicativo, decidiu aceitar a corrida. 

"Antes de aceitar a corrida dele eu tinha recusado algumas [corridas]. No aplicativo, se você rejeita várias corridas acaba ficando bloqueado por duas horas. Como eu não queria ficar bloqueado, acabei aceitado a corrida dele, ignorei a mensagem com teor sexual que ele me mandou pelo aplicativo e fui até o local solicitado. O passageiro entrou no meu carro com uma cerveja na mão, completamente bêbado, sentou no banco da frente sem usar máscara. E quando eu trocava a marcha ele se esfregava em mim", disse.

Paulo disse ainda, que perdeu a cabeça após o passageiro ter colocado a mão em seu órgão genital. "Eu cheguei a falar para ele parar de se esfregar em mim, que eu ia levar ele numa boa para a casa dele. Quando eu coloquei as duas mãos no volante ele colocou a mão na minha parte íntima, segurou e apertou e eu dei um soco nele. Não estou arrependido por que eu fui abusado. Fui assediado em meu local de trabalho. Ele também não pulou do carro, o que aconteceu é que eu disse que ia na delegacia e ele começou a gritar e tentou abrir a porta do carro. Eu segurei o braço dele para não pular e brequei o carro, quando ele abriu a porta, pegou as coisas dele e desceu. A corrida durou uns 10 minutos no máximo", relatou. 

Segundo Paulo, ele não é homofóbico, mas não aceita ser assediado nem por homens e nem por mulheres em seu local de trabalho. "Estou muito chateado com essa situação, eu moro com minha esposa e um amigo gay, não tenho preconceito quanto a isso. Mas esse passageiro veio me tocar, não me respeitou. Quero dizer que não sou isso que estão falando na internet, quero justiça. Tudo o que ele falou nas mensagem me assediando eu passei para a polícia ", desabafou.