Polícia Civil e OAB-AM trocam notas de repúdio após confusão na Delegacia da Mulher
Manaus/AM - Um grave incidente ocorrido nas dependências da Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), na Zona Leste de Manaus, desencadeou notas oficiais de repúdio e opiniões divergentes entre a Polícia Civil do Amazonas e a Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AM). O episódio, que envolveu o uso de força policial e a presença da Comissão de Prerrogativas, agora é alvo de versões conflitantes sobre os limites da autoridade e os direitos profissionais.
A Polícia Civil do Amazonas manifestou-se por meio de nota de repúdio, fundamentando sua posição no conceito de urbanidade e na preservação de um espaço dedicado ao acolhimento de vítimas vulneráveis. Segundo a instituição, o advogado envolvido teria extrapolado os limites do exercício profissional ao perturbar o atendimento da unidade e realizar gravações em um ambiente que exige sigilo institucional. A polícia classifica as denúncias de agressão feitas pelo advogado como "alegações falsas", sustentando possuir provas técnicas e testemunhais que desmentem o profissional. Diante disso, a PC-AM confirmou que o advogado responderá por desacato e será investigado por calúnia.
Em contrapartida, a OAB-AM emitiu uma nota de repúdio e solidariedade, focando sua atuação na defesa da inviolabilidade profissional. A Ordem argumenta que nenhuma suposta falta de urbanidade ou exaltação justifica o uso de força física desproporcional, o emprego de armas de fogo ou condutas que configurem abuso de autoridade por parte dos agentes públicos. A entidade destacou que sua Comissão de Prerrogativas acompanhou o caso de perto para garantir que a advocacia não fosse subordinada à autoridade policial de forma arbitrária, ressaltando que o profissional não foi preso em flagrante.
A ofensiva da OAB agora se concentra nas esferas disciplinar e judicial. A entidade informou que acionará o Ministério Público e a Corregedoria do Sistema de Segurança, exigindo o afastamento cautelar e a punição severa dos investigadores envolvidos. A Ordem alega que o Estado falhou gravemente ao utilizar a força contra quem deveria ter suas prerrogativas asseguradas por lei, ferindo o Estado Democrático de Direito.
No centro da disputa, o desfecho agora depende da perícia minuciosa nas imagens do sistema de monitoramento interno da delegacia.
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