Quando mudar é continuar lutando
Há dores que o tempo não apaga, mas há dores que o tempo ensina. Foi aprendendo com o tempo e com a vida que encontrei um novo sentido para continuar lutando. Descobri isso nas palavras de Viktor Frankl, o psiquiatra que sobreviveu ao horror dos campos de concentração e transformou o sofrimento em sabedoria. Frankl escreveu uma fórmula simples e poderosa:
D = S – S
Desespero é = a sofrimento - sentido.
Essa frase me pegou demais. Porque o Brasil sofre com a insegurança. Porque o povo sofre com a falta de liberdade plena. O que mais dói não é o sofrimento em si, é sofrer sem saber por quê. Quando um policial se arrisca e não é reconhecido, ele sofre. Quando um trabalhador paga seus impostos e não vê retorno, ele sofre. Quando um pai teme por seus filhos ao sair de casa, ele sofre. E quando tudo isso parece sem sentido, nasce o desespero coletivo. E o desespero é perigoso, porque apaga a esperança e sem esperança, o povo desiste.
Eu já senti essa revolta. Já questionei, já briguei, já sangrei com as próprias feridas. Mas entendi que a raiva não transforma, o que transforma é o sentido. E foi isso que mudou em mim. Mudei por vontade única, por consciência. Fortaleci minhas convicções, aprofundei minhas razões e descobri que a luta só vale quando tem sentido.
Hoje, meu propósito é claro: colaborar na reconstrução da confiança entre o povo e quem o protege. Quero uma polícia valorizada, próxima da comunidade e respeitada pelo Estado. Quero uma política empreendedora, que gere oportunidades reais, não promessas. Quero um Brasil que liberte o seu povo do medo, não um país que viva refém dele.
Aprendi com Frankl que o sofrimento pode ser o início da cura, basta ter direção. O mesmo vale para o Brasil: nossas dores só terão sentido se nos moverem à mudança. E é essa mudança que eu defendo, uma mudança de cultura, de atitude e de destino. Uma mudança que começa em cada cidadão que decide acreditar outra vez.
Porque o Amazonas é Brasil, e o Brasil não precisa de salvadores — precisa de sentido. Sentido de dever. Sentido de futuro. Sentido de pertencimento. O empreendedorismo, por exemplo, nasce dessa mesma energia: a de transformar o impossível em oportunidade. É o sentido que faz o trabalhador levantar cedo, o empresário inovar, o professor ensinar e o policial resistir. Sem sentido, tudo se perde, com sentido, até o sofrimento vira força.
Por isso, reafirmo aqui o meu compromisso: continuarei a seguir, mas agora com um novo olhar, sob uma nova perspectiva e a mesma coragem de sempre. Luto porque acredito. Acredito porque encontro sentido em ajudar as pessoas a reencontrarem sua fé, sua esperança e seu propósito coletivo.
“Quem tem um porquê, suporta qualquer como.” — Viktor Frankl
Hoje, o meu “porquê” é voltar para a estrada, seguir reto, sem desvios e sem desânimo, ajudando o povo a reencontrar o seu próprio sentido. Quando isso acontecer, seremos novamente um povo livre na alma, na economia e na esperança.
Hissa Abrahão é economista, professor universitário, mestre, doutorando, ex-deputado federal e vice-prefeito de Manaus.
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