Brasil: um dos países mais violentos do mundo - Quando o Estado perde território, o crime governa.
O Brasil chegou a um ponto crítico da sua história recente. Em 2025, o país passou a figurar como o 7º mais violento do mundo, segundo levantamento internacional da ACLED (Tradução Literal): Projeto de Dados de Localização e Eventos de Conflitos Armados, o ACLED é um monitor global independente e imparcial que coleta, analisa e mapeia dados sobre conflitos, violência política e protestos em todo o mundo, não se trata de guerra externa, nem de terrorismo internacional, o Brasil não assume, mas esse e o verdadeiro nome, . Trata-se de algo mais corrosivo: a violência cotidiana produzida por facções criminosas que dominam territórios, impõem regras próprias e desafiam abertamente o Estado brasileiro.
O relatório do ACLED classifica o Brasil como país de violência extrema, uma categoria reservada a nações onde civis convivem permanentemente com confrontos armados, ataques sistemáticos e risco elevado à vida. Milhares de eventos violentos em apenas um ano colocam o Brasil no mesmo patamar estatístico de regiões em guerra declarada. A diferença é que aqui o conflito não é oficial, ele é tolerado, fragmentado e, em muitos casos, normalizado.
Esse cenário é confirmado pelo Global Initiative Against Transnational Organized Crime, em português, é a Iniciativa Global Contra o Crime Organizado Transnacional (GI-TOC), uma rede internacional de especialistas que desenvolve estratégias para combater o crime organizado, e que aponta o Brasil como um dos países com maior presença de crime organizado das Américas. O estudo destaca facções altamente estruturadas, com capacidade financeira, armamento pesado, logística interestadual e conexões transnacionais. O crime deixou de ser periférico: tornou-se um sistema.
No Amazonas, essa realidade se apresenta de forma ainda mais brutal. O estado converteu-se em eixo estratégico do narcotráfico internacional e palco de disputas diretas entre facções como PCC e Comando Vermelho. Em vastas áreas, o poder público é ausente ou intermitente, abrindo espaço para que o crime organize a vida social pela força, pelo medo e pela extorsão.
As taxas de homicídio no Amazonas, em diversos municípios, superam níveis considerados aceitáveis internacionalmente e se aproximam de padrões típicos de zonas de conflito armado. Não são números frios: são comunidades reféns, famílias deslocadas, jovens mortos precocemente e uma economia local sufocada pela insegurança permanente.
Quando facções controlam circulação, decidem quem trabalha, cobram taxas ilegais e executam sentenças, o Estado já não exerce soberania plena. Isso não é apenas criminalidade, é perda de território, erosão institucional e quebra do pacto civilizatório. Onde o Estado recua, o crime avança. E avança rápido.
O maior risco neste momento não é apenas a violência, mas a acomodação social ao caos. O Brasil corre o perigo de aceitar como normal aquilo que relatórios internacionais já classificam como extremo. Países que normalizam a violência perdem investimento, desenvolvimento, confiança e futuro. Segurança pública não é pauta ideológica: é condição básica de existência nacional.
O Brasil precisa decidir se continuará permitindo que facções ditem regras e ocupem espaços ou se retomará, com firmeza e coordenação, o controle do seu território. Negar a gravidade do problema não o reduz. Pelo contrário: apenas fortalece quem já governa pela arma e pelo medo.
Hissa Abrahão é economista, professor universitário, mestre, doutorando, ex-deputado federal e vice-prefeito de Manaus.
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