Compartilhe este texto

Vereadores de Manaus usam a democracia em causa própria: 39 a 2


Por Raimundo de Holanda

23/09/2021 19h59 — em
Bastidores da Política



É razoável pensar que os vereadores não usam de má fé, mas está claro que lhes falta um mínimo de noção sobre a cidade que lhes concedeu um mandato para defender interesses de toda uma população, não  projetos  que, se não atentam  contra a coisa pública, abrem uma avenida para delitos imediatos ou futuros.

Em recurso contra medida de primeiro grau que suspendeu edital de construção de um anexo ao preço de R$ 31 milhões, a Câmara Municipal de Manaus alega que não tem, atualmente, onde abrigar 1.800 funcionários, entre eles os 30 a 40 servidores a que tem direito cada um dos 41 vereadores. Para além do custo de um novo anexo, cabe discutir a forma como o Poder Legislativo  cria suas sinecuras.

É sabido que, não por falta de espaço,  pelo menos 40 por cento  dos servidores não comparecem para trabalhar. O custo para o contribuinte é imenso.

A alegação de que a construção vai gerar empregos é uma afronta à inteligência dos manauaras. Pode gerar, sim, outras facilidades, que não cabe aqui assinalar.

A Câmara evoca ainda o direito da maioria sobre a minoria (apenas dois vereadores se insurgiram  contra a construção)  e ensina como funciona a democracia.

Outra tapa na cara de um povo já desiludido com um sistema de governo do qual os políticos se apropriaram, sem estender seus benefícios à sociedade. Não que exista nada melhor do que a democracia, mas seu exercício é precário. Na prática, o Brasil vive um momento em que a democracia é questionada, E com alguma razão…

É razoável pensar que os vereadores não usam de má fé, mas está claro que lhes falta um mínimo de noção sobre a cidade que lhes concedeu um mandato para defender interesses de toda uma população, não  projetos  que, se não atentam  contra a coisa pública, abrem uma avenida para delitos imediatos ou futuros.

Um novo prédio é tudo o que a Câmara Municipal de Manaus não precisa agora. Não a este custo.

“Não há lesividade presumida”, como alegaram os dois vereadores, diz a contestação que você poderá ler abaixo na integra. Mas é óbvio a imoralidade do projeto, os danos que poderão causar ao erário.

Sua construção, com todos os aditivos que estão na ponta da agulha, a sua utilização  com os mais de 55 vereadores com os novos gabinetes que serão construídos, já é  lesiva, por se tratar de previsão de futuro do crescimento populacional da cidade.

Mas por mais que se grite, por mais que se aponte que é imoral, é praticamente certo que o prédio será construído, que  a decisão de primeiro grau será derrubada.

Veja também:

Manaus projeta futuro com 61 vereadores e muita mordomia

Justiça suspende edital para construção de anexo de R$ 31 milhões na Câmara de Manaus

O fato relevante é que a construção é uma decisão de um Poder soberano e não cabe ao Judiciário interferir. Mas cabe a você, eleitor, acertar as contas com os 39 vereadores que aprovaram o projeto de construção.

Veja abaixo quantos  servidores tem cada vereador:

Glória Carrate

34

Jaildo dos Rodoviários

40

Marcel Alexandre

40

David Reis

28

Marcelo Serafim

39

Professor Samuel

37

Professora Jacqueline

39

Rosivaldo Cordovil

40

Joelson Silva

37

Ver/ Bessa

34

Diego Afonso

30

Everton Assis

36

Ver. Fransuá

24

Ver Rauxinho

30

Rosinaldo Bual

39

Sassá da Construção

25

Wallace Oliveira

37

Daniel Vasconcelos

35

Alan Campelo

35

Amon Mandel

25

Caio André

30

Capitão Carpê

27

Done Carvalho

24

Eduardo Assis

31

Eduardo Alfaia

35

Elan Alencar

40

Ivo Neto

40

Jander Lobto

30

João Carlos Melo

31

Kennedy Anjos da Rua

26

Lissandro Breval

22

Márcio Tavares

35

Luis Mitoso

34

Antonio Peixoto

35

Raiff Matos

21

Rodrigo Guedes

30

Sandro Maia

39

Thaysa Lippy

38

Wanderley Monteiro

25

William Alemão

24

Yomara Lins

29

A maioria dos vereadores dessa lista , leitor, você certamente não conhece, nunca ouviu falar… Leia abaixo  na integra a defesa que a Câmara Municipal de Manaus faz da construção de um novo prédio para abrigar vereadores futuros e servidores.

Clique para baixar arquivo

Siga-nos no


Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.