Se a democracia estava ameaçada, por que Dino se apegou a uma regra menor?
- A resposta do Ministro Flávio Dino à CPMI explica muito de seu comportamento. No geral, pecou pela omissão. Não fazer nada poderia ser conveniente para o novo governo, que, convenhamos, nunca acreditou em golpe…
A resposta do Minisftro da Justiça, Flávio Dino, à CPMI de 8 de janeiro, de que não autorizou o uso da Força Nacional contra os vândalos que invadiram Brasilia porque dependia de autorização do governo local, contraria aquilo que vem enfatizando: de que havia uma tentativa de golpe em andamento. Se Dino imagina que era essa a intenção dos arruaceiros, deveria compreender que a Constituição estava sendo violada e que era seu dever, como Ministro da Justiça, usar a força exatamente para preservar a Constituição e a democracia.
Mas Dino ficou amarrado a uma regra - a de que “a Força Nacional só poderia ser empregada com a anuência do governador, sob pena de violar a autonomia estadual”. E daí? O ministro não percebeu o que estava em jogo? A tomada do poder pela força, em clara violência ao sistema democrático e às leis do País.
A resposta de Dino á CPMI explica muito de seu comportamento. No geral, pecou pela omissão.
Não fazer nada poderia ser conveniente para o novo governo que, convenhamos, nunca acreditou em golpe, mas em baderna. Golpe ocorre quando um grupo politico organizado - o que não era o caso - prende ou isola o presidente de plantão, os seus ministros e impede a ação da Corte de justiça. Nada disso ocorreu.
Infelizmente, a versão do golpe é alimentada pela imprensa. Agora, houve um badernaço imperdoável e seus autores devem ser punidos. Assim como aqueles que se omitiram e não evitaram a depredação da sede dos Três Poderes.
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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.