O risco de Lula não terminar o mandato
Com Lula repetindo Bolsonaro - desacredita a Polícia Federal e o Ministério Público, ao dizer que o plano para sequestrar o ex-juiz e atual senador Sérgio Moro seria uma armação, ao tempo em que justifica a incapacidade de governar atribuindo culpa ao Banco Central - que gostaria de chamar de seu - é impossível não prever em pouco tempo pedidos de impeachment do presidente.
Escondidinho, Geraldo Alckmin pode jurar lealdade absoluta a Lula, mas no fundo sabe que as trapalhadas do presidente podem abrir caminho para em poucos meses trocar o Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente, pelo Palácio do Planalto.
Indícios estão no ar. O primeiro deles: a ameaça do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, de não votar Medidas Provisórias, o que provocaria um “apagão no governo”, caso Lula não interfira na crise com o Senado - decidido a instalar comissões mistas para votar as MPs, antes de ir a plenário. Atualmente, a Câmara primeiro vota e encaminha aos senadores, que fazem a análise da matéria e devolvem aos deputados para decisão final.
Segundo, o projeto de impeachment apresentado pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, com inovações. Uma delas, a definição de prazo para o arquivamento ou não dos pedidos de afastamento do presidente e outras figuras públicas. ( Leia matéria abaixo).
A mudança na legislação é necessária. A Lei atual é de 1950 - mas é estranho que o presidente do Senado apresente essa “novidade"em menos de 100 dias do novo governo.
Parece mais uma intimidação do que, como afirma Rodrigo Pacheco, "uma contribuição para a sociedade brasileira discutir a equação entre respeito à soberania popular e reprovação das condutas que atentem contra a Constituição.” Conta outra, Pacheco.
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ASSUNTOS: Artur Lira, Impeachment, Lula, Medida Provisória, Rodrigo Pacheco
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.