CPI da Covid: Pazuello, Wilson Lima, Bolsonaro e a Águia de Sangue
O depoimento do ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, à CPI da Covid, na próxima semana, será um momento limite para o governo Bolsonaro. Todos os erros, todas as omissões, especialmente no caso da falta de oxigênio em Manaus, apontam para o ex-ministro. Vai ser difícil tirar Pazuello dessa enrascada sem que o governo aponte um tolo, um "inocente útil” para sua causa mais fundamental neste momento: encontrar um culpado para livrar o ex-ministro da tortura de ter a coluna vertebral exposta, com as costelas formando duas asas.
Quem assistiu o seriado "Os Vikings", em exibição na Netflix, sabe do que estou falando. Claro, tudo aqui no sentido figurado, mas os senadores vão expor, a partir do sangramento de Pazuello durante o depoimento, as vísceras de um governo omisso, irresponsável, genocida, representado pela figura do presidente Bolsonaro.
Não será Pazuello sentado, inquirido pelos senadores. Quem estará ali será de certa forma o presidente Bolsonaro, pois Pazuello só fez o que o “chefe mandava”.
Quanto à vítima que vai substituí-lo no suplício final, pelos crimes cometidos e que também de certa forma cometeu, já está escolhida: o governador do Amazonas, Wilson Lima, apontado pela Procuradoria Geral da República como chefe de uma organização criminosa que, segundo a subprocuradora Lindôra Araújo, desviou recursos da saúde durante a pandemia de Covid 19.
E mais, Pazuello já disse à Polícia Federal e deverá repetir em depoimento à CPI do Senado, que o governo do Amazonas sabia da falta de oxigênio e que só muito depois teria comunicado o fato ao Ministério da Saúde.
Pazuello comprometeu em depoimento à PF duplamente o governador Wilson Lima, ao informar que em uma primeira reunião com o governador antes de deflagrada a crise pela falta de oxigênio, nada foi informado a ele. Que convocou uma reunião com Wilson e sua equipe para apresentação das necessidades do Estado, mas que ninguém disse a ele nessa ocasião que havia forte demanda por oxigênio, resultando na respectiva falta do produto.
Outras reuniões aconteceram, segundo o depoimento de Pazuello à PF, sem que fosse alertado sobre o problema.
Perfeito. Pazuello tem um álibi. Ainda assim deve sair sangrando da CPI, com a biografia comprometida. Mas quem tem mais a perder é o governador do Amazonas, já denunciado ao STJ e pode virar réu e perder o cargo.
Nenhum mal é tão desastroso que lá na frente não promova o bem…
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.