Discurso ambiental é sádico e imoral
- Exigir preservação absoluta de quem não tem alternativas não é política pública — é perversão, escárnio.
- Onde falta estrada, energia, crédito, segurança e presença estatal, não há liberdade. Há sobrevivência. E sobrevivência não sustenta discurso moral sobre proteção ambiental.
O homem do Amazonas não vive com menos porque quer. Vive com menos porque foi empurrado para essa condição ao longo de décadas. A precariedade não é fruto da geografia nem da cultura local, mas de uma decisão estrutural do Estado brasileiro de não oferecer à região as mesmas condições garantidas a outras partes do país.
Romper com esse ambiente não significa atacar a proteção ambiental. Significa romper com uma lógica perversa que usa o discurso ambiental para justificar a ausência de infraestrutura, de emprego, de energia segura, de transporte e de oportunidades. Preservar não pode ser sinônimo de condenar milhões de pessoas a viverem sem escolhas.
A Amazônia não precisa ser congelada nem explorada de forma predatória. Precisa ser governada. Valorizar o homem amazônida não ameaça a floresta. Diversamente, é a única forma real de protegê-la. É o que as autoridades que governam precisam aprender.
ASSUNTOS: Amazonas, Amazônia, devastação, floresta em pé
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.