Amazonas no mapa das terras raras
- Ao entrar no Mapa das terras raras, o Amazonas precisa garantir que parte da riqueza fique aqui — seja em forma de refino, pesquisa, tecnologia ou indústria. Mas, também não pode municiar ambientalistas de novas armas que muitas vezes atrasam o desenvolvimento local.
- A região não pode continuar sendo tratada apenas como vitrine intocável para satisfazer a consciência ambiental de países ricos. Ela é um patrimônio vivo, de um povo real, que ainda vê riqueza circular sobre suas cabeças sem se converter em renda, tecnologia, infraestrutura ou oportunidades.
- Terras raras, exploradas com responsabilidade e domínio tecnológico, podem ser uma das poucas vias capazes de inserir o Estado em cadeias de valor que hoje movem a economia mundial.
O projeto de exploração de terras raras em Apuí nasce carregado de expectativas: empregos, investimentos, exportações e até a possibilidade de instalar um polo de refino em Manaus.
Estamos falando de mineração no sul do Amazonas, região já marcada por pressão agropecuária, desmatamento e limitada presença do Estado.
Terras raras demandam técnicas sensíveis, manejo químico e convivência com cursos d’água, o que demanda atenção dos órgãos de controle ambiental. A Amazônia já viu grandes projetos terminarem como passivos ambientais.
Mas reconhecer essas inquietações, não significa cair no imobilismo que há décadas empurra o Amazonas para a periferia econômica do próprio território.
O desafio está em equilibrar desenvolvimento e vigilância. Não se trata de desautorizar críticas, mas de evitar que elas se transformem em veto automático a qualquer iniciativa econômica.
ASSUNTOS: Amazônia, Terras Raras
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.