Compartilhe este texto

Águas de Manaus: Privatização, PPP ou sociedade entre amigos?


Por Raimundo de Holanda

28/10/2023 20h20 — em
Bastidores da Política


  • É hora de revisar esse contrato, que parece mais uma sociedade entre amigos. E esse amigo não é, sabidamente, o povo do Amazonas.

O Estado do Amazonas privatizou a Cosama há 22 anos e o que mudou foi o nome da empresa. Os gastos  com saneamento e esgotamento sanitário não foram assumidos plenamente pela concessionária e a dívida do Amazonas junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento - Bird - para investimentos em saneamento, apenas cresceu. Uma adutora foi construída pelo Estado para melhorar o fornecimento de água e até mesmo uma estação de tratamento de esgotos recém inaugurada foi  bancada pelo contribuinte. Todo esse patrimônio terminou nas mãos da Águas de Manaus. 

O Estado do Amazonas, que banca parte ou o todo do investimento, continua agindo como se houvesse firmado um processo de parceria público privada  com a empresa, não uma concessão plena, onde a concessionária assume a responsabilidade total por investimentos, infraestrutura e gestão.

No caso da Águas de Manaus, a empresa assume a gestão, não os riscos. Deixa o passivo para o Estado e se apropria dos ativos. 

É uma “sociedade” feita às  avessas, onde quem paga a conta é o contribuinte - e duas vezes, vamos repetir aqui. Primeiro, quando o governo empresta dinheiro no mercado internacional para bancar obras na cidade. Segundo, quando a conta de água  chega nas residências, calculada não apenas no consumo, mas nos investimentos feitos para melhoria dos serviços. Mas quem investiu não foi a empresa, mas o Estado.

É hora de revisar esse contrato, que parece mais uma sociedade entre amigos. E esse amigo não é, sabidamente, o amazonense.

Leia também:

Privatização não garantiu direito humano à água e esgoto em Manaus

Siga-nos no


Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.