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Australiano que estava foragido no Brasil dava aula de inglês e vivia sem luxo

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Foto: Divulgação

RIO - Christopher John Gott, de 63 anos, foragido desde 1996 da Justiça australiana por 17 acusações de agressão sexual, tinha uma vida simples no Brasil. Era professor aposentado, e para pagar o aluguel da casa onde vivia, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, dava aulas particulares e cobrava R$ 50 a hora.

— O Daniel que conheci era uma pessoa respeitosa e que sempre procurava ajudar aos necessitados. Ele ajudava muita gente, adotou duas crianças que tinham ele como herói — contou um dos alunos.

Outro amigo lembrou que ele era reservado, falava pouco sobre a Austrália e sua vida, mas chegou a citar uma ex-mulher:

— Acho que era brasileira.

Apesar de reservado, ele era muito querido pelos amigos e familiares, tanto que na época do acidente em Copacabana, muitos se manifestaram pelas redes sociais para pedir doação de sangue e até orações. O australiano permanece até hoje em internado no Hospital Miguel Couto, em coma.

Mas nem mesmo os filhos de Gott - adotados informalmente - conheciam seu lado mais sombrio. Por telefone, um deles se limitou a dizer que esta 'é uma situação muito nova'. Segundo a polícia, até então, a família achava que o australiano teria vindo morar no Brasil para se esconder após testemunhar um crime. Ele esteve na 12ª DP (Copacabana) nesta quarta-feira para prestar novos esclarecimentos. De acordo com a polícia, outras pessoas que conheciam o australiano estão sendo procuradas para depor.

A polícia foi a única que parece não ter ficado surpresa com a história de Gott. De acordo com uma fonte, logo que ele foi internado o documento dele foi enviado ao consulado australiano e identificado como falso. Foi a partir das digitais que verificaram que Daniel Marcos Phillips era na verdade Christopher John Gott.

Segundo o jornal The Australian, ele era professor na cidade de Darwin no início dos anos 1990, e antes disso em Melbourne, nos anos 1980. Ele foi preso em 1994 e condenado a seis anos de prisão, reduzida a dois anos em cárcere e dois anos em liberdade condicional, por 17 ofensas sexuais com crianças. Entre os crimes, há o estupro de dois adolescentes, de 14 e 16 anos.

Ainda de acordo com o jornal, ele fugiu para o Brasil em abril de 1996, durante a liberdade condicional. Ele disse que iria morar com seus pais em Melbourne, a 3.754 km de distância, mas na viagem de ônibus desceu em Adelaide e nunca mais foi visto.

Em nota, a Embaixada da Austrália se limitou a dizer que não pode fornecer informações sobre esse caso. Já a Polícia Federal da Austrália confirmou que ajudou as autoridades brasileiras na identificação de uma das vítimas do acidente em Copacabana, mas que é inapropriado comentar mais sobre o caso.

Questionada sobre a possibilidade de extradição do australiano, a Polícia Federal (PF) afirmou em nota que as tratativas com as autoridades australianas estão sendo feitas por ela própria, via Interpol. Disse ainda que, por meio "de sua representação da Interpol no Rio de Janeiro, tem atuado junto à Polícia Civil Estadual na busca de dados sobre o cidadão australiano internado no Hospital Miguel Couto". Ainda segundo o órgão, Gott "foi adequadamente identificado" e a Interpol no Brasil está mantendo contato com as "autoridades australianas para eventuais procedimentos futuros relacionados ao caso"

Também por nota, o Ministério da Justiça disse que não comentaria se há ou não um pedido de extradição do australiano. "Em relação a casos concretos, o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI) não pode se manifestar, inclusive sobre a mera existência ou não de pedido de extradição, porque poderá por em risco investigação em andamento, sem que as autoridades competentes por tais procedimentos tenham autorizado", informa a nota enviado ao GLOBO.

O Ministério da Justiça também detalhou o processo de extradição. De acordo com o órgão, o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional – autoridade central brasileira – é quem recebe o pedido formulado pelo país estrangeiro para extraditar alguém. A partir daí, realiza o juízo de admissibilidade destes documentos.

Se verificar que a documentação está de acordo com o Tratado e o ordenamento jurídico brasileiro, o pedido é encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), encarregado de julgar a legalidade da solicitação. O ministério acrescenta que o tempo de análise pela Corte varia, "uma vez que serão respeitados os princípios do contraditório e ampla defesa". Se o STF aceitar o pedido de extradição, cabe ao presidente da República decidir sobre a entrega do cidadão estrangeiro ao Estado que fez o pedido.

 

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