'Terras Caídas' causam isolamento de ribeirinhos e desafiam comunidades no Amazonas
A erosão dos rios na Bacia Amazônica, conhecida como "terras caídas", tem provocado o deslocamento de comunidades ribeirinhas, dificultando o acesso a recursos básicos e ao transporte. Um estudo do geólogo André Zumak, publicado na revista Nature, utilizou imagens de satélite para analisar a região de Tefé, onde o fenômeno destruiu comunidades inteiras, inclusive escolas e portos, além de causar mortes. O pesquisador destaca o impacto social da perda territorial, afetando a memória e a identidade das comunidades locais.
A pesquisa identificou que cerca de 69 mil pessoas vivem em áreas de risco de erosão ao longo dos rios amazônicos, com 18,5% das localidades impactadas por sedimentos, 26% pela erosão nas margens e 55,5% em condições estáveis. Comunidades em áreas planas são as mais atingidas, embora aquelas em terras altas também sofram com o problema. Exemplos como o da comunidade Caburini, no Rio Japurá, mostram como o fenômeno força a migração e afeta profundamente o modo de vida local.
O estudo recomenda a ampliação de políticas públicas focadas na mitigação dos impactos da erosão e no mapeamento do risco humano em larga escala. André Zumak reforça a necessidade de integrar iniciativas relacionadas ao risco de erosão às estratégias voltadas a enchentes e secas, propondo abordagens abrangentes para proteger os territórios e garantir a sustentabilidade das comunidades ribeirinhas afetadas.
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