Manaus/AM - Em uma crítica contundente ao que parece ser uma falha recorrente na infraestrutura urbana de Manaus, a Agência Reguladora dos Serviços Públicos Delegados do Município de Manaus (Ageman) notificou a concessionária Águas de Manaus para que reavalie e refaça os serviços de recomposição asfáltica no conjunto Japiim, zona Sul. A ação da Ageman expõe o descaso da concessionária com a qualidade das obras, um problema que impacta diretamente a mobilidade e a segurança dos moradores.
A vistoria da Ageman revelou uma série de “não conformidades” que, segundo o órgão, comprometem não apenas a qualidade das obras de esgotamento, mas também o cotidiano da população. Entre os problemas encontrados, destacam-se a presença de fissuras, a ausência total de recomposição do asfalto e o perigoso afundamento do solo, conhecido como recalque. Essas falhas, longe de serem incidentes isolados, parecem ser a marca registrada de um serviço executado sem o rigor técnico exigido.
No caso colocado em questão, trata-se de um “rastro de destruição” deixado nas ruas Professor Waldir Garcia, B 14, C 9, B 3, B 10, B 14, Francisco de Almeida, B 1, entre outras.
O diretor-presidente da Ageman, Elson Andrade, afirmou que "os engenheiros fizeram uma varredura e verificaram muitas situações que precisam ser corrigidas", destacando que o serviço, da forma como foi entregue, "não está de acordo com o que estabelece o contrato de concessão referente à qualidade do serviço". A promessa de "advertir e multar" em caso de descumprimento, embora soe como uma medida de rigor, levanta questionamentos sobre a eficácia da fiscalização, já que problemas semelhantes são relatados em outras partes da cidade. O que deveria ser um processo de aprimoramento da infraestrutura se revela um ciclo vicioso de obras malfeitas e fiscalização reativa.
A situação ganha contornos ainda mais problemáticos ao se considerar a falta de clareza nas informações prestadas à população. A recente campanha de "conscientização" da Águas de Manaus, solicitada pela própria Ageman, expôs as lacunas na comunicação da concessionária com os usuários. Dúvidas sobre a taxa de esgoto, o início da cobrança e os custos de conexão dos imóveis demonstram que a empresa, enquanto se expande, falha em ser transparente sobre os impactos financeiros do serviço para os moradores. O que se percebe é uma falta de compromisso com a clareza e com a população, que fica à mercê das decisões unilaterais das empresas.
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