Manaus/AM - Felipe Braga, advogado da médica Juliana Brasil, investigada pela morte do menino Benício Xavier, de 6 anos, revelou que sua cliente reconheceu a falha “no calor do momento”, durante o atendimento emergencial. Segundo a defesa, o erro não teria sido apenas humano, mas resultado de uma suposta falha no sistema eletrônico de prescrição do Hospital Santa Júlia, em Manaus.
De acordo com o advogado, Juliana teria prescrito adrenalina por nebulização, mas o sistema teria alterado automaticamente para a via intravenosa, ocasionando a aplicação incorreta da medicação. “Ela admitiu o erro porque percebeu imediatamente o agravamento do quadro clínico, mas isso ocorreu em meio à tensão e ao desespero da situação”, disse o defensor.
Mensagens de WhatsApp entre médicos do hospital confirmam que Juliana reconheceu a falha ao pedir ajuda a colegas. A Polícia Civil do Amazonas já validou a autenticidade dessas conversas. Mesmo assim, o advogado contestou o fato e chegou a apresentar um vídeo, onde simula uma prescrição médica no sistema que é automaticamente alterada pelo mesmo.
"Juliana não escreveu a prescrição manualmente. Hoje, as prescrições são feitas por um sistema automatizado. Quando ela escreve a via de administração, o próprio sistema pode entender que está incorreta e alterá-la automaticamente. Isso já foi relatado por outros profissionais. Se fosse uma prescrição escrita, o erro não teria acontecido", disse o advogado Felipe Braga.
O caso segue em investigação pelo Ministério Público e pelo Conselho Regional de Medicina do Amazonas, que instaurou um processo ético sigiloso. A morte de Benício, após seis paradas cardíacas, expõe não apenas a responsabilidade individual da médica, mas também levanta questionamentos sobre a segurança dos sistemas digitais utilizados em hospitais da região.
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