Vereador Bual é suspeito de usar dinheiro de rachadinha em agiotagem, diz Gaeco
Manaus/AM - O coordenador do Gaeco, Leonardo Tupinambá, deu detalhes da Operação Face Oculta, que prendeu Rosinaldo Bual, na manhã desta sexta-feira (3), e afirmou que além da suspeita do envolvimento do político com 'rachadinha', a investigação também apura se o vereador também pratica agiotagem, considerada crime na legislação.
Segundo Leonardo, há fortes indícios de que o parlamentar recebia de volta parte dos valores pagos aos funcionários do seu gabinete, prática conhecida como rachadinha. Os repasses eram feitos por meios de PIX, ao menos 50 funcionários fizeram transferências do gênero.
"Ele tinha uma alta rotatividade entre os funcionários que eram contratados pelo gabinete. No nossos documentos aqui, nós identificamos aproximadamente 50 funcionários que até metade do salário deles deveriam ser retornados a ele. O dinheiro ia primeiramente para uma para quatro ou cinco pessoas da equipe dele e depois eram revertidos em benefício do parlamentar", explica.
O vereador já estava na mira do Gaeco há bastante tempo, segundo o coordenador do órgão, uma vez que já tinha sido denunciado pela prática criminosa. A investigação também aponta que para operar o esquema, Bual contava com ajuda da chefe de gabinete e de uma assessora, que também foram presas hoje.
"O nome eu não posso dizer porque ainda tá em segredo de justiça, mas ela era uma das que articulava todo o recebimento de valores e a distribuição", explica sobre a participação da chefe de gabinete.
No bojo da apuração, o Gaeco também descobriu que a movimentação de altas quantias de dinheiro nas contar do vereador podem estar atreladas à pratica de agiotagem que usava o dinheiro das rachadinhas para multiplicar o patrimônio de Bual. "Uma linha é de que ele utilizaria esse dinheiro para agiotagem (...) Ele responde por peculato, concussão, associação criminosa e lavagem de dinheiro", diz o coordenador do Gaeco.
No decorrer da operação, a Justiça bloqueou R$ 2,5 milhões das contas do vereador e apreendeu muito dinheiro. "Hoje nós apreendemos três cofres, nos endereços em que nós cumprimos as buscas, dois cheques no valor de R$ 500 mil endereçados a um dos investigados e uma expressiva quantia em dinheiro que a gente ainda está contando com o auxílio de uma máquina", concluiu.
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