Líder do CV usava igrejas para esconder drogas e despistar polícia, diz delegado
Manaus/AM - A polícia revelou que Alan Kleber, apontado como chefe da facção Comando Vermelho e líder de um esquema criminoso que cooptava servidores públicos para facilitar o tráfico de drogas no Amazonas e em outros estados, conseguiu escapar na madrugada desta sexta-feira (20).
De acordo com o delegado Marcelo Martins, Alan fugiu de São Paulo por volta das 3h da manhã, mas sua esposa foi presa. O delegado destacou ainda que o criminoso se passava por evangélico e utilizava templos religiosos para esconder drogas e despistar a polícia.
"Ele se disfarçava como uma espécie de evangélico. Ele frequentava uma igreja evangélica na região do bairro Zumbi dos Palmares. Ele usava as roupas da e em uma ocorrência anterior, ele escondeu drogas dentro desse templo e nós temos um outro alvo que também morava dentro de uma igreja evangélica. Então o que nós percebemos é que esse grupo criminoso utilizava essas igrejas para poder se esconder da polícia como uma espécie de disfarce, de 'camuflagem social' para que eles não fossem facilmente identificados".
As provas reunidas pela polícia mostram que Alan declarava abertamente comandar o esquema criminoso, que possuía “tentáculos” no Judiciário, Legislativo e Executivo. Ele ostentava poder e garantia que tinha uma rede de proteção caso fosse preso.
"Isso ficou muito claro quando nós fizemos a extração de um aparelho celular que foi apreendido, em que o chefe da organização criminosa, o Alan Kleber, ele falava abertamente que ele tinha pessoas em todos os órgãos, em todas as esferas e que ele não tinha medo de ser preso nem de nada porque ele pagava todo mundo. Então, como ele tinha uma rede de pessoas de pagamentos, ele se sentia muito à vontade para poder cometer os crimes e ele se vangloriava para os demais membros da organização criminosa de que eles não deveriam se preocupar porque ele tinha essa rede e ele iria cuidar de todos".
As investigações revelaram que a facção movimentou cerca de R$ 70 milhões em quatro anos, usando empresas fantasmas de logística para dar aparência de legalidade às transações e transportar drogas para vários estados. Foram confirmadas as prisões de um policial civil, ex-assessores e servidores do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).
"Esse núcleo político da investigação, ele é composto por esses ex-assessores que atuavam na área de advocacia e por esses outros servidores públicos que atuavam numa esfera importante dos órgãos em que eles eram lotados. E a investigação indica que essa organização criminosa usava esses agentes públicos para ter trânsito em órgãos", ressalta Martins.
O delegado alertou para o risco da infiltração do crime organizado na administração pública:
“Nós vemos que em outros países começaram assim, com o crime organizado entrando na administração pública, de modo que depois chegou a um ponto que o crime organizado era a própria administração pública, mandava em todo mundo, como ocorre, por exemplo, hoje no México. Nós não podemos deixar isso acontecer”.
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