Que democracia é essa ?
- Onde vamos parar como sociedade é difícil prever, mas o óbvio é que o novo governo não sabe conviver com quem pensa diferente
O presidente Lula não parece interessado num projeto de conciliação do País, que a cada dia está mais dividido. Enquanto a Polícia Federal for usada para fins políticos - de perseguição a adversários do governo - a cisão da sociedade tende a aumentar. Onde vamos parar como sociedade é difícil prever, mas o óbvio é que o novo governo não sabe conviver com quem pensa diferente.
Nos últimos tempos tem sido discutido os limites da liberdade de opinião, mas o que é a democracia senão o exercício da livre manifestação de pensamento, da convivência pacífica entre contrários? Quando essa relação se torna difícil como agora, cabe ao governo construí-la.
Democracia não é voto, nem o governo “do povo para o povo”.Isso é chavão repetido por gente esperta que acha que todos os cidadãos são tolos. Democracia é civilidade, é tolerância, é alternância pacífica de poder, é a construção de um pensamento que não precisa ser único, mas convergente em vários pontos - um deles, o de que tudo é permitido.
Pensar diferente, opinar, contrariar, ser até contra a democracia, porque essa é a forma de exercê-la plenamente; protestar sem ganhar o rótulo de terrorista.
Numa sociedade plural, aberta, ninguém se apropria da liberdade do outro em razão de opiniões, as instituições funcionam de forma harmônica, o Congresso faz as leis, a polícia instaura inquéritos, investiga, enquanto o Ministério Público faz a denúncia e o Judiciário julga a partir de requisitos como o contraditório e os mecanismos de defesa.
Quando o Judiciário decide abrir inquéritos, investigar e julgar, é porque a democracia, “tão falada”, “tão defendida”, foi corrompida.
Essa é a situação do Brasil de hoje. Mas é conveniente para o governo de plantão, que se tem um projeto de poder para durar, precisa renunciar a vingança…
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.