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O que a polícia já sabe sobre o assassino da servidora do TRT


Por Raimundo de Holanda

30/05/2022 20h28 — em
Bastidores da Política



Silvanilde Ferreira Veiga havia realizado o sonho de morar na Ponta Negra. Quem não sonha? Naquela manhã de sábado, 21, deve ter saído do condomínio , onde residia há 10 anos, e olhado o rio que serpenteava lá embaixo. As palmeiras balançando ao vento e homens e mulheres sarados exibindo os corpos no calçadão com seu piso de rochas calcárias e basalto português. Um luxo que em Manaus a classe de baixo consome e a de cima aprecia. 

À tarde, o que ela teria feito? Olhado o sol da sacada do apartamento, enquanto a noite chegava trazendo o canto das cigarras e os sinais de que seria longo o sofrimento. Depois disso, um SOS  de seu celular para a filha Sthephanie, a chegada de Sthephanie ao apartamento as 22h30m, encontrando Silvanilde debruço envolta em uma poça de sangue. A ligação para o Samu (necessária?) e a chegada da Polícia as 23h06m. 

A cena do crime estava irremediavelmente violada, mas a polícia técnica fez seu trabalho, colheu resíduos de pele e sangue. Silvanilde lutou contra o criminoso e isso pode ajudar a polícia a prendê-lo, pelas provas que deixou. 

O crime foi premeditado? O criminoso estava tomado pelo ódio e na fúria pareceu desastrado. Acabou se utilizando de uma faca. Um desejo de matar feroz: 12 facadas penetrando o corpo da mulher. As pegadas, a polícia sabe quem as deixou. Porém não fala. Não ainda. 

Primeiro, porque mantém o suspense e o mistério que enfeitiçam a maioria das pessoas. Segundo, porque o desfecho do caso será com mandados de prisão e uma coletiva de imprensa. Logo...

Depois disso, fim do mistério e mais um triste caso de quem procura segurança em um condomínio onde tudo é feito para evitar roubos e outros crimes - o acesso é difícil, muitas câmeras na entrada, muito critério na identificação de visitantes. Para quê ? Para nada quando o criminoso não é exatamente um fantasma, mas um amigo ou um vizinho, ou  uma pessoa que  amamos e confiamos. 



Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.