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Paradoxo amazônico


Por Raimundo de Holanda

25/12/2025 21h54 — em
Bastidores da Política


  • A Amazônia é frequentemente invocada em discursos diplomáticos e colocada no centro da agenda internacional. Ainda assim, essa atenção raramente se converte em resultados concretos para quem vive na região.
  • O problema não é a falta de interesse sobre seu bioma, sua diversidade, mas a forma como essa discussão ocorre. Vê-se a floresta, ignora-se o território. Exalta-se o bioma, rejeita-se as pessoas.

A Amazônia tornou-se parte da discussão global sobre clima e meio ambiente, enquanto suas demandas reais, tais como a infraestrutura básica, serviços públicos, justiça ambiental e presença efetiva do Estado, seguem tratadas como temas periféricos.

No contexto amazônico, quem não é compreendido não é valorizado. Sem compreensão institucional, não há prioridade orçamentária; sem prioridade, não há política pública consistente; sem política pública, não há transformação social capaz de alterar a realidade regional.

A repetição desse padrão revela um uso simbólico da Amazônia como ativo de legitimidade internacional. O território rende prestígio em fóruns globais, mas esse capital político raramente retorna em investimentos estruturais ou em políticas permanentes voltadas à população local.

O paradoxo amazônico está justamente aí: quanto maior a visibilidade internacional, menor a consequência prática no cotidiano das pessoas que vivem na região. 

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ASSUNTOS: Amazônia

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.