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A escala 6x1 e o outro lado do balcão

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Por Holanda
28/02/2026 00h00 — em Coluna do Holanda

Enquanto milhões de brasileiros enfrentam a escala 6x1, há uma classe de servidores que trabalha quatro dias por semana, descansa três e ainda pode converter a própria licença dentro da jornada em dinheiro.

Quando a gente olha para o outro lado do balcão. O mesmo cidadão que paga, com seus impostos, salários que podem chegar a R$ 300 mil ou mais por mês para integrantes do sistema de Justiça, precisa — se quiser entrar com uma ação — provar que é pobre o suficiente para não pagar custas.

Tem que juntar documentos, extratos, declaração de renda. Em outras palavras: o acesso à Justiça, que deveria ser um direito, vira um benefício que precisa ser demonstrado.

E há um detalhe que raramente entra no debate sobre “acesso à Justiça”. O Ministério Público pode acusar, pedir bloqueio de bens, propor ações contra alguém que, ao final, pode não ter cometido ilícito algum. Mas se a acusação não se sustenta, quem acusou não paga custas, não arca com honorários, não sofre consequência financeira pelo erro.

Já o cidadão acusado precisou contratar advogado, gastar com defesa e, mesmo vencendo, dificilmente recupera o que perdeu no caminho.

Quando o assunto é o fim dos penduricalhos — aqueles auxílios e vantagens que fazem salários no serviço público ultrapassarem o teto constitucional — parece que, finalmente, alguém decidiu mexer num vespeiro antigo.

O Supremo Tribunal Federal suspendeu pagamentos desse tipo e cobrou que o Congresso diga, de uma vez por todas, o que é verba indenizatória de verdade e o que virou só um jeito de turbinar contracheque. Até aí, tudo certo.

Agora, quando o Supremo tenta dar um freio nos penduricalhos, o freio também vem — e vem forte. O presidente do STF, ministro Edson Fachin, pediu ao Executivo e ao Legislativo que indiquem nomes para uma comissão que vai discutir uma “regra de transição” para esses pagamentos.

Traduzindo: não dá para cortar de uma vez. É preciso negociar a saída, porque o lobby das carreiras organizadas é grande — e o Congresso, que deveria legislar sobre o tema desde 2016, prefere dividir o desgaste político.

Enquanto isso, propostas que mudariam a escala 6x1 — aquela que afeta diretamente o trabalhador comum, sem auxílio de nada — encontram resistência imediata. Para quem trabalha seis dias por semana, o descanso parece um luxo; para quem recebe acima do teto, o auxílio virou direito adquirido.

Enfim, o Brasil é e dificilmente deixará de ser um país dos grandes contrastes, principalmente os sociais.

Em suma, depois da mudança anunciada e a transição em debate, o STF põe à sociedade o risco de continuar tudo como está

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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Comentários (1)

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Resolva a operação matemática acima
Nestor Salgueiro 01/03/2026 às 01h51
Basta haver vontade política para que se respeite o teto remuneratório no serviço público no Brasil. Restabelecer a essência do Subsídio como rubrica única de remuneração de alto valor para algumas carreiras no serviço público. Exceder o teto por algo que é moralmente aceito, como Diárias, Ajuda de Custo e 13º Salário. Como ficou sem reajuste adequado e com a ganância de muitos, houve distorções como Auxílio-alimentação e Auxílio-saúde, pois nem essas rubricas podem receber, uma vez que já ganham muito bem para bancar todos os seus gastos. Há mais de 30 anos esse teto era um pouco mais de 120 salários-mínimos (que valia pouco, uns 100 dólares). Depois o teto era equivalente a uns 80 salários-mínimos (já em torno de 150 dólares). Mais adiante o teto correspondia a uns 60 salários-mínimos (com um valor de uns 200 dólares). E já recentemente o teto equivalia a uns 40 salários-mínimos (já valorizado e com valor de uns 300 dólares). Ou seja, o teto remuneratório sempre esteve em torno de 12 mil dólares. No momento, está correspondendo a menos de 30 salários-mínimos, necessitando ter um reajuste de mais de 35% para que todos fiquem satisfeitos e parem de inventar rubricas para aumentar de maneira imoral sua remuneração. Que se contrate uma consultoria como da FGV, por exemplo, que fará um levantamento do teto remuneratório do serviço público em diversos países do mundo e que tenha coragem de propor um valor com base nessa média e que se faça uma consulta popular para sua aprovação ou não. Maneira decente e democrática para resolver essa questão fundamental.
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