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Coluna do Holanda

Pendurados nos privilégios

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Por Holanda
02/03/2026 02h51 — em Coluna do Holanda
  • A decisão do Supremo de suspender pagamentos que inflassem salários além do teto parecia indicar uma interrupção imediata dessa prática. Dias depois, no entanto, a própria Corte admitiu um prazo de adequação. Na prática, as duas medidas passaram a operar juntas: suspende-se o que vem pela frente, enquanto se permite revisar e ultimar pagamentos já reconhecidos administrativamente.
  • Esse intervalo criou uma fase de transição. Antes da decisão final sobre a legalidade ou o alcance dessas verbas, abriu-se espaço para que tribunais revisem rubricas e realizem pagamentos previamente reconhecidos, dentro de determinados limites. A decisão ainda não foi concluída; os pagamentos, por ora, são ajustados.

No meio das tensões que hoje atravessam Brasília — investigações sobre o INSS, o caso Banco Master e a disputa por emendas parlamentares — há um tema que, ao contrário dos demais, não cria conflito entre os Poderes. Aproxima. Os chamados penduricalhos, que permitem pagamentos acima do teto constitucional por meio de auxílios e vantagens, passaram a ocupar um lugar comum na agenda de Executivo, Legislativo e Judiciário. E, por isso mesmo, deixaram de ser apenas um problema técnico para se tornarem uma pauta política.

Para o cidadão que financia o sistema, o contraste é visível. Quem precisa acessar a Justiça sem pagar custas deve comprovar que não tem condições. Quem é acusado pelo próprio Estado em uma ação que não se sustenta precisa arcar com sua defesa, mesmo quando inocentado. Já os pagamentos que elevam remunerações acima do teto são tratados com prazos, regras de transição e negociações institucionais.

Entre a suspensão e o prazo de adequação, o resultado prático é que se interrompe o futuro enquanto se administra o passado. Abre-se uma janela para ajustes internos enquanto a decisão final não vem — num momento em que o Supremo já convive com o desgaste de sua imagem pública e vê crescer, na opinião de parte da sociedade, a percepção de que decide sobre si mesmo com a cautela que não estende aos demais.


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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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Comentários (2)

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Resolva a operação matemática acima
Nestor Salgueiro 03/03/2026 às 04h25
Basta haver vontade política para que se respeite o teto remuneratório no serviço público no Brasil. Restabelecer a essência do Subsídio como rubrica única de remuneração de alto valor para algumas carreiras no serviço público. No momento da sua instituição tudo o que algumas carreiras de servidores públicos recebiam nas mais diversas rubricas, como vencimento, adicional de tempo de serviço, auxílio-alimentação etc. foi incorporado no valor do subsídio para cada carreira. Assim, deste tempo em diante não é lícito reivindicar outros tipos de pagamento para se somar ao valor recebido como subsídio. Exceder o teto por algo que é moralmente aceito somente através de poucas rubricas, como Diárias, Ajuda de Custo e 13º Salário. Tudo que se desvia deste parâmetro constitucional representa distorção indevida, indecente, imoral, ilegal e inconstitucional. Isto é uma definição cristalina para quem é honesto intelectualmente.
Há mais de 30 anos o valor desse teto era um pouco mais de 120 salários-mínimos (que valia pouco, uns 100 dólares). Depois o teto era equivalente a uns 80 salários-mínimos (já em torno de 150 dólares). Mais adiante o teto correspondia a uns 60 salários-mínimos (com um valor de uns 200 dólares). E já recentemente o teto equivalia a uns 40 salários-mínimos (já valorizado e em torno de uns 300 dólares). Ou seja, o teto remuneratório sempre esteve em torno de 12 mil dólares. No momento, está correspondendo a menos de 30 salários-mínimos, necessitando ter um reajuste de mais de 35% para que todos fiquem satisfeitos e parem de inventar rubricas para aumentar de maneira imoral sua remuneração estabelecida em subsídio.
Sugestão que se contrate uma consultoria como da renomada Fundação Getúlio Vargas-FGV, por exemplo, que fará um levantamento do teto remuneratório do serviço público em diversos países do mundo e que diante de tal estudo as autoridades que presidem os 3 poderes da República no nível federal tenham coragem de propor um valor com base nessa média.
Nestor Salgueiro 02/03/2026 às 04h02
Basta haver vontade política para que se respeite o teto remuneratório no serviço público no Brasil. Restabelecer a essência do Subsídio como rubrica única de remuneração de alto valor para algumas carreiras no serviço público. Exceder o teto por algo que é moralmente aceito, como Diárias, Ajuda de Custo e 13º Salário. Como ficou sem reajuste adequado e com a ganância de muitos, houve distorções como Auxílio-alimentação e Auxílio-saúde, pois nem essas rubricas podem receber, uma vez que já ganham muito bem para bancar todos os seus gastos. Há mais de 30 anos esse teto era um pouco mais de 120 salários-mínimos (que valia pouco, uns 100 dólares). Depois o teto era equivalente a uns 80 salários-mínimos (já em torno de 150 dólares). Mais adiante o teto correspondia a uns 60 salários-mínimos (com um valor de uns 200 dólares). E já recentemente o teto equivalia a uns 40 salários-mínimos (já valorizado e com valor de uns 300 dólares). Ou seja, o teto remuneratório sempre esteve em torno de 12 mil dólares. No momento, está correspondendo a menos de 30 salários-mínimos, necessitando ter um reajuste de mais de 35% para que todos fiquem satisfeitos e parem de inventar rubricas para aumentar de maneira imoral sua remuneração. Que se contrate uma consultoria como da FGV, por exemplo, que fará um levantamento do teto remuneratório do serviço público em diversos países do mundo e que tenha coragem de propor um valor com base nessa média e que se faça uma consulta popular para sua aprovação ou não. Maneira decente e democrática para resolver essa questão fundamental.
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