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Usuários devem reagir contra cobrança indevida da Águas de Manaus

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Por Holanda
15/04/2026 22h36 — em Coluna do Holanda
  • O verdadeiro interesse público não se resume à expansão física da rede. Ele também exige planejamento, ordem urbana, prestação adequada do serviço, modicidade tarifária e respeito à realidade econômica do cidadão. Tudo o que a Águas de Manaus não faz ou não respeita.

A decisão da Justiça de Manaus, que suspendeu a cobrança promovida pela concessionária Águas de Manaus ao reconhecer que a mera disponibilidade da rede não basta, por si só, para justificar a exigência tarifária, oferece um importante ponto de partida para uma reflexão .

Embora a controvérsia tenha surgido em situação específica — envolvendo imóvel abastecido por sistema próprio —, o fundamento adotado pelo juiz Rogério Vieira, lança luz sobre um debate mais amplo:

Até que ponto a simples existência física da infraestrutura pode servir de causa automática para onerar ainda mais o orçamento das famílias de Manaus?

A cidade convive, há meses, com intervenções que embora inseridas no discurso de modernização do saneamento, têm deixado marcas concretas no cotidiano urbano. Ruas abertas, trechos interditados, alagações e congestionamentos passaram a compor a rotina de diversos bairros.

Em muitos casos, moradores, comerciantes e condomínios precisaram arcar com recursos próprios para reparar danos em acessos, calçadas e estruturas atingidas pelas obras, além do desgaste emocional de viver em um ambiente permanentemente instável.

É justamente nesse cenário que a decisão judicial ganha densidade para além do processo específico.

Se a Justiça, ainda que em sede provisória, entendeu que a simples disponibilidade da rede não resolve, por si só, a legitimidade da cobrança, a mesma lógica convida a cidade a uma indagação maior: pode a mera presença da infraestrutura, implantada em meio a tantos transtornos, converter-se automaticamente em novo encargo financeiro para milhares de famílias?

O verdadeiro interesse público não se resume à expansão física da rede. Ele também exige planejamento, ordem urbana, prestação adequada do serviço, modicidade tarifária e respeito à realidade econômica do cidadão.

Não se trata de negar a importância do saneamento, que é essencial e historicamente necessário para Manaus, mas de questionar a coerência de uma política que, primeiro, impõe os custos urbanos da desordem e, depois, transforma essa mesma disponibilidade em fundamento de cobrança.

Modernizar a cidade não pode significar dupla oneração da população: primeiro pelo transtorno concreto causado pelas obras, depois pelo peso tarifário decorrente da mera disponibilidade.

A recente liminar, nesse ponto, oferece mais do que uma resposta provisória a um condomínio; ela serve como parâmetro para um debate mais amplo sobre a forma como Manaus está sendo chamada a financiar a própria desordem que experimenta.

Justiça barra cobrança de taxa de água e esgoto de condomínio com poço artesiano em Manaus
Amazonas

Justiça barra cobrança de taxa de água e esgoto de condomínio com poço artesiano em Manaus

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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Comentários (4)

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Resolva a operação matemática acima
Tatiane Freitas 17/04/2026 às 13h08
Sempre achei absurda essa cobrança dupla, principalmente porque só o valor da água sem a taxa do esgoto já é caro, parece até que vivemos em outro país, onde há escassez de água. Pagamos em dobro, mas será que temos uma água de qualidade para beber? Muitas famílias compram água mineral, e com isso gastam muito mais. Essa cobrança precisa ser revista. Isso não pode continuar assim!
Ira. Araujo 17/04/2026 às 11h45
Aqui no viver melhor do lago azul, falta água praticamente duas ou três vezes ao mês e pagamos um horror pela tarifa e além do mais a taxa de esgoto que é cobrada é um absurdo, pois não vejo melhoria em nada.
Kal Adson 17/04/2026 às 11h44
Realmente e mais, pelo menos onde resido, em teoria, existiria um amparo legal, já que pela lei diz serviço continuo, mas aqui tem vezes que a água está saindo da torneira, a pessoa vai fazer alguma coisa e cadê a água? E pior quando isso acontece pode esperar que durante pelo menos 10 dias isso pode acontecer, com relação a tarifa de esgoto, pelo menos aqui, ninguém sabe onde seria a estação, quando se pergunta a resposta é: Parece que....
Maria Marines 16/04/2026 às 16h58
Pura verdade não funciona, tentei ligar ,paguei um pedreiro e água retornar e paguei pra fechar novamente, e entrei em contato com há água de Manaus nada resolve.desde novembro de 2025,contínua vindo taxa de esgoto.....estou indignada....
Erick 17/04/2026 às 23h34
Isso dá excelente dano moral.